Publicidade
Edição 9
Julho/2004

Publicidade
Caixa
Embraer
Imprimir

Programa livre
A administração federal começa a adotar softwares livres em seus computadores e estimula o crescimento de empresas nessa área.

Por Lia Vasconcelos, de Brasília



O usuário individual, corporativo ou governamental que queira instalar o sistema operacional livre da Linux em seu computador tem duas opções: pode baixar os programas pela internet, o que exige certo conhecimento de informática, ou comprar um CD de instalação com manual e telefones de suporte técnico - vendido até em bancas de jornal. Há empresas especializadas no desenvolvimento e na distribuição de diferentes soluções baseadas no Linux. Uma das pioneiras no Brasil é a Conectiva, cujo pacote com as soluções de escritório mais usadas - sistema operacional, editor de texto, editor de planilha, navegador e editor de imagem, entre outras - custa cerca de 100 reais.

Uma bagatela diante dos 700 reais cobrados apenas pelo sistema operacional Windows XP Home Edition autêntico, da Microsoft. A Conectiva tem, em seu portfólio, um milhão de sistemas Conectiva Linux instalados e cerca de 15 mil estudantes treinados. "O Linux é cada vez mais usado em servidores, terminais de bancos, caixas de supermercado e celulares. O mercado está mais maduro", diz Jaques Rosenzvaig, presidente da empresa. Em fevereiro a Conectiva foi comprada pela Mandrakesoft, companhia francesa de distribuição de Linux. O projeto das duas é trabalhar em conjunto para lançar um novo sistema operacional. "A intenção é criar uma organização global com posicionamento próximo ao usuário, serviço de qualidade e adequação de produtos."

Oportunidades No meio empresarial, o software livre não é novidade. De acordo com o estudo setorial "Complexo Eletrônico: Introdução ao Software", desenvolvido por técnicos do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e divulgado em setembro de 2004, 78% dos servidores de médias e grandes empresas brasileiras empregam o sistema operacional Linux. No caso dos bancos, o índice chega a 42% dos servidores e dos ambientes de trabalho. Varig, Embrapa, Petrobras, Carrefour, Pão de Açúcar e Casas Bahia já utilizam software livre. Segundo a consultoria International Data Corporation (IDC), o mercado para o sistema operacional Linux no Brasil é de 400 milhões de dólares. Ainda de acordo com o IDC, o Linux cresce a uma taxa anual de 35% nos servidores que são vendidos com sistema operacional.

Companhias tradicionais de tecnologia, como a IBM, têm reservado cada vez mais espaço para o software livre, considerado um importante mercado a ser ocupado e uma boa oportunidade de negócios. Desde 1999 a empresa investe no desenvolvimento de produtos - hardware e software - e serviços para a plataforma Linux. Recentemente, a empresa liberou as patentes de 500 programas de computador, que passaram a ser de livre acesso. E o investimento acumulado, desde 2001, nessa área chega a cerca de um bilhão de dólares. "O software livre é uma inovação no processo de desenvolvimento. É fundamental para a formação de especialistas", diz Cezar Taurion, gerente de novas tecnologias aplicadas da IBM. Entre as iniciativas da empresa se destacam a criação do Linux Technology Center (LTC), com cerca de 400 profissionais ligados via internet a centros virtuais de todo o mundo cuja missão é fazer melhorias no sistema; e o Linux Integration Center (LIC), sediado no Texas, nos Estados Unidos, que tem como tarefa criar e validar soluções para o sistema Linux. A IBM inaugurou, no final de 2003, um LTC em Campinas, em parceria com a Unicamp, e um LIC na capital paulista.

O Ministério da Ciência e Tecnologia encomendou uma pesquisa à Sociedade para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex) para ter um mapeamento do mercado brasileiro de software livre. Assim, será possível direcionar melhor as linhas de crédito em benefício de empresas que desenvolvem software livre. O Programa para o Desenvolvimento da Indústria Nacional de Software e Serviços Correlatos (Prosoft), do BNDES, financia investimentos e planos de negócios, bem como a venda para o mercado interno e as exportações de softwares e serviços correlatos.

Hoje, tem 32 projetos aprovados num valor total de 130 milhões de reais, mas, como apenas dois deles são específicos de software livre, só 5,7 milhões de reais foram encaminhados. Outra fonte de recursos é o próprio MCT, que destinou 12,5 milhões de reais para projetos da área em 2004. O ministério também encomendou um estudo para identificar os setores em que o Brasil poderia se sair melhor no mercado externo. Amadeu, do ITI, garante que há enorme potencial para a exportação de soluções que empregam software livre.

Estudo encomendado pelo Fórum Econômico Mundial mostra que o Brasil caiu sete posições no ranking mundial que classifica os países conforme a utilização e o desenvolvimento de tecnologia de comunicação e informação. Considerando os mesmos critérios, a Índia e a China melhoraram seu desempenho. O uso de sistemas mais baratos é uma forma de disseminar não só o acesso à tecnologia, mas, por conseqüência, o surgimento de talentos e empresas que atuem na área. É um caminho para a melhoria da educação, para a redução das desigualdades sociais e para o crescimento econômico. O Linux e outros sistemas abertos não chegam a ser varinhas mágicas que transformarão o Brasil numa Finlândia. Mas são ferramentas de baixo custo, ideais para países como o Brasil. Especialmente porque a alma do desenvolvimento de programas de computador é a criatividade. E essa qualidade, como é sabido, não falta ao brasileiro.

PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2 | 3 | 4 | 5


Copyright © 2007 - DESAFIOS DO DESENVOLVIMENTO
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação sem autorização.
Revista Desafios do Desenvolvimento - SBS Quadra 01, Edifício Bndes, sala 801 - Brasília - DF - Fone: (61) 3315-5188