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Carta ao leitor
Ottoni Fernandes Jr., diretor
Entra governo, sai governo, o déficit de moradias, especialmente
para a população de baixa renda, continua a ser um dos mais graves
problemas sociais brasileiros.Desde o tempo do Banco Nacional da
Habitação, as linhas de financiamento e os negócios imobiliários
estão voltados para habitações destinadas à classe média, embora a
carência esteja concentrada na população com renda familiar inferior
a cinco salários mínimos mensais.Outro fator que dificulta a solução
do problema é a baixa eficiência da indústria de construção de
residências,dominada pela informalidade, em contraste com o nível
de excelência da indústria de construção pesada.A reportagem de
capa desta edição de Desafios do Desenvolvimento aborda essas
questões e mostra como a falta de financiamento para a construção
e a compra de habitações, e os ultrapassados códigos de obras e de
uso do solo, impedem a correção dessa chaga social e acarretam na
falta de 6,7 milhões de moradias para brasileiras e brasileiros. Cartas ou mensagens eletrônicas devem ser enviadas para:
Outro caso de exclusão social que começa a ser resolvido diz
respeito aos 25 milhões de brasileiros de baixa renda sem acesso a
serviços bancários. O impulso para que bancos, cooperativas e
organizações não-governamentais supram essa carência teve início
em 2000 e os primeiros resultados aparecem. Já existe uma rede de
26,7 mil correspondentes bancários em açougues,mercearias,padarias,
quase sempre na periferia das metrópoles e cidades com menos de 5 mil
habitantes,que atende à população de baixa renda, empresta dinheiro,
recebe contas e depósitos.O total de contas bancárias simplificadas,
em que não é pedida comprovação de renda ou residência, chegou a
3,8 milhões em outubro.A reportagem da página 52 mapeia as
mudanças no atendimento bancário para a população mais pobre.
A importância do uso da tecnologia e do investimento em
pesquisa e desenvolvimento é abordada na matéria que começa na
página 44 .Ela mostra as vantagens competitivas das empresas que
apostam na inovação.Na página 32 há outra reportagem sobre
pesquisa.Esta traz algumas histórias a respeito da ciência daquilo
que é praticamente invisível e que já resulta em produtos que
transformam a vida das pessoas.
Registramos com pesar o falecimento,em novembro,do economista
Celso Furtado,professor, pesquisador e homem público que
engrandeceu a vida brasileira.Uma de suas últimas entrevistas foi
concedida a Desafios do Desenvolvimento, em outubro.Ela pode
ser lida na nossa página da Internet,no endereço www.desafios.org.br.
desafios@ipea.gov.br
Diretoria de redação
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