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Edição 5
Março/2004

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A correspondência para a redação deve ser env iada para cartas@desafios.org.br ou para SBS Quadra 01 - Edifício BNDES - Sala 801 - CEP: 70076-900 - Brasília DF

ReproduçãoA respeito da reportagem “Uma onda no ar”, de Lia Vasconcelos, publicada na edição de novembro de 2004 de Desafios do Desenvolvimento, gostaria de fazer as seguintes considerações:

Para a síntese de 1 kilograma de um hidrocarboneto de fórmula CnH2nOn são necessários 0,6 litro de água e 746 litros (1,47 kg) de gás carbônico (CO2), resultando ainda dessa reação um igual volume (1,06 kg) de oxigênio.

Do mesmo modo pode-se estimar que para a produção de 100 milhões de toneladas de grãos de soja e milho (nossa safra de 2003), mesmo supondo conservadoramente que apenas 50% do peso destes seja constituído por amido, carboidratos, proteínas,óleos, etc.*, a fotossíntese destas substâncias pelas plantas irá precisar da ordem de 30 milhões de m3 de água, liberar 53 milhões de toneladas de oxigênio (37 bilhões de m3), e retirar da atmosfera um igual volume, ou seja, 73 milhões de toneladas de gás carbônico!

Se a esse efeito ainda adicionarmos todo o seqüestro de carbono devido à produção restante de nossa lavoura (cana,mandioca arroz, batata, etc.), concluiremos que a agricultura brasileira é uma das grandes contribuintes para o objetivo final do protocolo de Quioto.

Nos caberia,portanto,o direito imediato de pleitear créditos de carbono junto aos países para os quais exportamos a maior parte de nossa safra, os quais ao consumir (oxidar) estes produtos, emitem (principalmente pela respiração animal) o gás carbônico de volta para a atmosfera .
* composição quimica de proporções próximas a Cn H2n On

eng. Francisco Leme Galvão
S. José dos Campos -SP

Qual é a solução para a informalidade no Brasil? Como a reportagem da revista Desafios do Desenvolvimento indica, é preciso fazer as alterações necessárias na carga tributária e trabalhista de modo que "compense" para o trabalhador, para o empresário e para o empreendedor a "entrada na formalidade". Isso, sempre é bom lembrar, além do fato de que o investimento produtivo tem de ser, mas tem de ser mesmo, mais rentável do que as aplicações em fundos no mercado financeiro.

Bernardo Furtado
Belo Horizonte-MG

Uma chama de esperança
A reportagem “Uma chama de esperança”e o artigo de Ariel de Castro,publicados na última edição de Desafios do Desenvolvimento, trazem algumas informações bastante interessantes. Primeiro,que no Brasil há cerca de 26.000 adolescentes infratores em liberdade assistida, que o custo de manutenção dessa turma é de mais ou menos cinco milhões de reais por mês e que o grau de reincidência no crime é, em média, de 5%. Depois, que outros 12.000 jovens infratores estão encarcerados. Entre eles, o grau de reincidência é de 40% e o custo de sua manutenção, para a sociedade, é de 84 milhões de reais mensais. Isso, segundo Ariel de Castro,sem que haja projeto pedagógico e prédios adequados, e com maus-tratos e tortura.

A primeira questão que decorre da observação desses dados é a seguinte: para onde vão os 84 milhões todos os meses,se não servem para dar um tratamento ao menos razoável aos jovens? É muito dinheiro! Por que ralo ele está escorrendo? É no mínimo irônico que o erário público gaste sete mil reais por mês com cada um desses jovens para que eles vivam em péssimas condições. Com esse dinheiro seria possível alugar uma casinha para cada um,contratar uma babá, ou um psicólogo para acompanhamento permanente, e ainda sobrariam uns trocados. E o governo poderia exigir do garoto o compromisso de ser bem comportado...sob pena de cortar a mesada...

A segunda questão diz respeito ao Judiciário. Afinal, se já se sabe que o grau de reincidência é muito maior entre os jovens que são internados, e se a própria Febem admite que mais de 30% dos que estão presos poderiam estar em liberdade assistida, por que eles continuam atrás dos muros? A quem interessa essa situação?

Para encerrar, mais uma observação. O trabalho desenvolvido no Jardim Ângela é um exemplo de iniciativa bem-sucedida. Especialmente porque não discrimina os infratores, promove sua convivência com a comunidade.Temo que as novas leis que estão em discussão no Congresso ponham por água abaixo experiências desse tipo. As diretrizes para o trabalho nessa área já estão definidas no Estatuto da Criança e do Adolescente. Uma lei que padronize, nacionalize, regulamente e ainda crie novos órgãos fiscalizadores pode ser mais uma fonte de desperdício de dinheiro, sem qualquer resultado positivo.

Paulo Fernando de Araújo Barnabé
São Paulo-SP

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