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Edição 5
Março/2004

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Crianças na mídia
Os resultados positivos alcançados pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância, premiada internacionalmente.

Por Maysa Provedello*, de Brasília


Mas a Andi não faz apenas denúncias. Desde 1990, quando entrou em vigor o Estatuto da Criança e do Adolescente (Eca), meninos e meninas ganharam um extenso pacote de direitos. O antigo Código do Menor tinha uma postura meramente assistencialista e repressora, deixando crianças e adolescentes em uma situação secundária. Com o novo documento, passaram a sujeitos centrais, com direitos próprios e integrais. "Foi nesse momento que a Andi nasceu", explica Marcus Fuchs, diretor de planejamento da organização. "Percebemos que havia uma lacuna, que os jornalistas estavam alheios a um processo de transformação tão importante", diz a jornalista Âmbar de Barros, fundadora da Andi e, atualmente, coordenadora do escritório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco, em inglês).

Naquela época, a estrutura se resumia a um telefone e muita habilidade para convencer repórteres e editores a darem atenção às novidades. Desde então, a organização cresceu de forma expressiva. Hoje, o orçamento anual está em torno de 2,3 milhões de reais, a equipe conta com 65 pessoas, entre funcionários, estagiários, voluntários e consultores, e pelo menos 35 parceiros nacionais e internacionais, alguns deles financiadores e outros cooperadores técnicos. Além da equipe fixa, são contratados consultores especializados em infância e adolescência. O conselho consultivo da entidade conta com pesos pesados da sociedade civil, entre eles Oded Grajew, fundador e presidente do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, e Geraldinho Vieira, representante da Fundação Avina no Brasil.

Conscientização "O que fazemos pode ser dividido em três partes. Mobilizamos os veículos de imprensa, eletrônicos ou impressos, para publicarem notícias sobre os assuntos da infância; capacitamos jornalistas para que dominem cada vez mais os conceitos que envolvem o tema e também os especialistas em infância para que tenham um relacionamento produtivo com a mídia e, por fim, acompanhamos tudo o que é publicado em 60 jornais brasileiros sobre o assunto, para que possamos conhecer os itens ainda pouco abordados e agir", diz Fuchs.

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