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Edição 5
Março/2004

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Trânsito
Perigo nas ruas
Estudos mostram que os acidentes de trânsito são a segunda causa de morte prematura no Brasil. A Política Nacional de Trânsito veio para atacar o problema.

Por Pedro Ivo Alcântara*, de Brasília

J.J. Leister / AE
Motoboys: Adilson Campos de Carvalho (ao centro) trabalha em São Paulo e preocupa-se em dirigir de maneira segura
O trânsito é um problema que preocupa todo o mundo. Além de provocar poluição atmosférica, mata e fere muita gente e os congestionamentos dificultam a locomoção das pessoas, reduzindo a produtividade do trabalhador. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 1,2 milhão de pessoas morreram e 50 milhões ficaram feridas em acidentes automobilísticos em 2002 - e 90% das ocorrências foram registradas em países em desenvolvimento. Em 2020, os acidentes de trânsito serão o terceiro maior problema de saúde pública em escala mundial, perdendo apenas para doenças coronarianas e para a depressão, segundo a previsão da OMS. O diretor-geral da organização, Lee Jong-Wook, disse que a forma de encarar o problema tem de mudar. Ele falou num evento realizado em abril em Genebra, Suíça, em que se discutiu o assunto. "As questões relacionadas ao trânsito devem ser tratados não apenas como temas da área dos transportes, mas também de saúde pública". Maurício Cadaval, presidente do Instituto de Desenvolvimento e Informação em Transporte, organização da sociedade civil que estuda as necessidades de transporte das populações urbanas, acha que "o Brasil ainda engatinha nesse quesito".

O caso é de urgência. No Brasil, anualmente, cerca de 33 mil pessoas morrem em decorrência de colisões e atropelamentos, o que dá aos acidentes de trânsito o segundo lugar no ranking nacional das causas de morte prematura. Mais letais do que ele somente as agressões físicas. Estimativas do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) apontam que três quartos dos acidentes ocorrem em regiões urbanas. Com o objetivo de combater este problema, foi lançada, em setembro, a Política Nacional de Trânsito, que traça diretrizes para a área. Resta implantá-la.

Dados que traçam a evolução histórica dos acidentes comprovam o perigo das vias e rodovias brasileiras. Entre 1961 e 2002, o número de vítimas fatais cresceu cerca de 10 vezes, de 3,3 mil para 33 mil. No caso dos feridos, a diferença é ainda mais espantosa. O total de vítimas saltou de 23,3 mil no começo dos anos 60, para 337 mil em 2002, segundo o Denatran. Isso considerando o aumento da população e da frota de automóveis, bem como os avanços tecnológicos para a segurança no trânsito. "O que acontece hoje nas avenidas brasileiras é uma verdadeira carnificina", diz Ailton Brasiliense, diretor-geral do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), órgão federal responsável por gerir e implementar políticas de trânsito. São 9,5 mortes por 10 mil automóveis. No Japão esse índice é 1,32, na Alemanha é 1,46 e nos Estados Unidos, 1,93, conforme dados da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OECD, em inglês) de 2001. "Os números brasileiros são altos. Mostram que há um caminho longo a percorrer. Mas se agirmos poderemos ser bem-sucedidos, aproveitando experiências de sucesso do Brasil e do exterior", diz José de Ribamar Góes, engenheiro e um dos coordenadores pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) da pesquisa "Impactos Sociais e Econômicos dos Acidentes de Trânsito nas Aglomerações Urbanas Brasileiras".

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