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A revolução invisível
Já começam a surgir novos produtos, mais úteis, práticos, leves e econômicos do que os que conhecemos, resultantes de pesquisas em nanotecnologia.
por Lia Vasconcelos, de Brasília
Talvez um bom indício de que as relações entre universidade e empresas estejam começando a mudar é que seis associações de indústrias - dos setores de eletrodomésticos, autopeças, plástico e têxtil - e seis instituições acadêmicas, como a USP, a Unicamp, a Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Universidade Federal de Minas Gerais, decidiram criar a Nanotec. A iniciativa prevê a realização de uma feira e um congresso, em São Paulo, de 5 a 8 de julho de 2005. O foco será nas aplicações práticas, exatamente para estimular a adesão das empresas.
Como se vê, a nanotecnologia é um mundo cheio de possibilidades. Os entusiastas são os primeiros a enumerar as benesses que ela trará para a vida cotidiana. Já os mais cautelosos preocupam-se com questões para as quais ainda não existem respostas. Ninguém sabe, por exemplo, que tipo de impacto as partículas nanoestruturadas podem ter no meio ambiente. "As inovações vão servir para a sociedade como um todo? A nanotecnologia provavelmente vai provocar mudanças nos arranjos produtivos. Isso representará uma desestruturação das indústrias e do mercado de trabalho como os conhecemos hoje?", indaga Paulo Martins, sociólogo e pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) de São José dos Campos, que criou a Rede de Nanotecnologia, Sociedade e Meio Ambiente para discutir essas e outras questões. Mas o novo não espera, e enquanto as preocupações surgem e os debates se desenvolvem, a revolução acontece. Silenciosa e invisível.
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