![]() |
|
A revolução invisível
Já começam a surgir novos produtos, mais úteis, práticos, leves e econômicos do que os que conhecemos, resultantes de pesquisas em nanotecnologia.
por Lia Vasconcelos, de Brasília
Na mesma época foram criados os Institutos do Milênio, que são 17 instituições virtuais no país. Um deles é o Instituto do Milênio de Nanociências, que pesquisa nanotubos de carbono e sistemas correlatos. "Reuniões gerais e específicas têm sido realizadas anualmente. Existem sites através dos quais as informações circulam, além dos contatos pessoais. Ficou claro, nas avaliações, o significativo aumento da produção científica em um curto espaço de tempo. A infra-estrutura laboratorial preexistente está sendo compartilhada de modo muito mais eficaz", diz Oscar Loureiro Malta, coordenador da Rede de Nanotecnologia Molecular e de Interfaces (Renami).
Iluminação Os resultados já começam a aparecer. Na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, mais especificamente no Laboratório de Optoeletrônica Molecular do Departamento de Física, o físico italiano Marco Cremona coordena dez pessoas espalhadas pelo Brasil que estudam os dispositivos emissores de luz orgânicos (Organic Light Emiting Diods - Oleds, em inglês), vedetes do mundo da nanotecnologia pois apresentam grandes vantagens em relação aos concorrentes inorgânicos e aos cristais líquidos (LCD). "Os Oleds prometem ser fontes luminosas econômicas, de baixo peso e que potencialmente podem ser feitos em qualquer tamanho e colocadas sobre qualquer material, até plástico. A estimativa é que, em 2005, a maioria das telas dos nossos celulares e notebooks será de plástico", diz Cremona, que faz parte da Renami. Mas não é só no mundo da eletrônica que os Oleds prometem aportar. A iluminação pública deve ser grande beneficiária dessa tecnologia, por seu baixo consumo de energia elétrica.
Petróleo Outra pesquisa que pode ter grande impacto é a conduzida pelo professor do Instituto de Física da Universidade de Brasília (UnB) e vice-coordenador da Rede de Nanobiotecnologia, Paulo César Morais. Com uma equipe formada por 20 professores e 80 alunos de cinco universidades brasileiras, ele tem como objeto de análise algo que pode mudar a história de vazamentos de petróleo. "Em 2000 houve um grande vazamento no Rio de Janeiro que me deu a idéia de desenvolver uma nova tecnologia baseada em nanopartículas magnéticas colocadas em microesferas de polímeros. Traduzindo: é um pó que pode ser jogado na mancha de óleo tornando-a magnética. A manipulação fica muito mais fácil", explica. A técnica prevê também que sejam colocados ímãs nas bóias de contenção para cercar a mancha. "Era um projeto ambicioso que prometia desenvolver material novo, integrar uma equipe geograficamente separada, que fala linguagens diversas. Deu certo. O material foi desenvolvido e patenteado."
PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | Próxima >>

