A revolução invisível
Já começam a surgir novos produtos, mais úteis, práticos, leves e econômicos do que os que conhecemos, resultantes de pesquisas em nanotecnologia.
por Lia Vasconcelos, de Brasília
Como sugere o título acima, essa reportagem conta a história de um movimento que muito pouca gente vem percebendo. Um novo mundo está sendo construído e vale a pena conhecê-lo. Assim como existem a ciência e a tecnologia, existe também a nanociência e a nanotecnologia, que têm por meta dominar parte, por menor que seja, do virtuosismo da Natureza na organização da matéria, átomo por átomo, molécula por molécula. Esses dois neologismos derivam do grego nano (anão), prefixo usado para designar um bilionésimo. Um nanômetro é, assim, um bilionésimo de metro. O diâmetro de um fio de cabelo humano mede cerca de 30 mil nanômetros. Além de possibilitar a criação de produtos inovadores e úteis como tecidos que não mancham e vidros auto limpantes, a nanotecnologia promete estar presente na base de todo o processo produtivo. Seu desenvolvimento ainda está começando, mas as possibilidades já parecem quase ilimitadas e prometem operar uma verdadeira revolução tecnológica invisível.
Longe de ser ficção científica, essa ciência já está presente em nossa vida cotidiana. Segundo a National Science Foundation dos Estados Unidos, entre 2010 e 2015 cerca de dois milhões de pessoas estarão trabalhando direta ou indiretamente na área e o faturamento dos negócios será da ordem de um trilhão de dólares anuais. Da mesma maneira que a humanidade aprendeu a manipular o barro para dele fazer tijolos e construir casas, o físico norte-americano Richard Feynman - já previa em 1959 que seria possível manipular diretamente os átomos e a partir deles construir novos materiais que não existem naturalmente.
Interdisciplinar por natureza, pois une física, química, biologia, computação, engenharia, entre outras áreas de conhecimento, a nanotecnologia traz um enorme potencial de aplicações. Exemplos: aumento da capacidade de armazenamento e processamento de dados dos computadores e criação de materiais mais leves e resistentes do que metais e plásticos. A área de farmacologia pode se beneficiar muito, uma vez que os princípios ativos das drogas poderão ser agregados a moléculas projetadas para serem absorvidas por órgãos específicos do corpo. Isso significa que doses muito menores de medicamentos serão necessárias, com redução dos efeitos colaterais. Outro destaque são os nanotubos de carbono, que nada mais são do que folhas de átomos dispostas num arranjo hexagonal que se enrolam para formar um espaguete com diâmetro nanométrico. A utilidade? A aglomeração de nanotubos permite a composição de materiais cinco vezes mais leves e vinte vezes mais resistentes que o aço, capazes de operar sob temperaturas três vezes mais elevadas. Cerâmicas, plásticos e borracha também poderão ser desenvolvidos com propriedades superiores às que conhecemos hoje.
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