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Uma chama de esperança
Os bons resultados obtidos por um trabalho desenvolvido junto a jovens infratores no Jardim Ângela, um bairro repleto de problemas na periferia de São Paulo.
por Maysa Provedello, de São Paulo
Os cursos ministrados são de pizzaiolo, cabeleireiro, técnico em informática, hip hop, inglês, música e teatro. Cada participante pode escolher uma dessas disciplinas, mas todos assistem a aulas de informática básica, matemática, português, meio ambiente e cidadania. Almoçam diariamente no RAC. Segundo o psicólogo Joel Costa, um dos fundadores e atual coordenador do projeto, a ligação com o universo católico não impede a aproximação de representantes de outras religiões. "Só me lembro de um caso de pais evangélicos que não deixaram o filho participar", recorda. A alimentação e a ajuda financeira para o transporte entraram recentemente no programa porque muitos não conseguiam cumprir as medidas por não terem dinheiro para chegar ao projeto e, não raro, rendiam pouco por não terem almoçado.
Comunidade Uma tacada de mestre do RAC, segundo especialistas do setor social, é oferecer atividades não apenas aos jovens com até 18 anos e com problemas com a Justiça, mas a outros garotos interessados, da mesma faixa etária, que moram na região. "É uma forma interessante de não segregarem os meninos, que certamente já convivem com a culpa pela situação em que se encontram. Melhor mesmo é começar a integração com a comunidade dentro do projeto, para que recebam influências positivas e fiquem longe da discriminação", diz Sérgio Mindlin, presidente da Fundação Telefonica, financiadora da iniciativa.
Alguns meses de convivência em grupo, conhecimentos básicos de cidadania e técnicas profissionalizantes têm mostrado aos jovens do Jardim Ângela que a vida pode ser mais do que o mundo dos delitos e do medo constante. De acordo com Costa, é possível dividir o perfil de quem cumpre as medidas em três segmentos principais: aqueles que precisam de destaque no grupo social em que convivem (dinheiro para consumir bens de alto valor), os usuários de drogas (que roubam para comprar substâncias psicoativas ilegais) e os cúmplices (que muitas vezes tornam-se infratores ao serem liderados por um dos dois tipos anteriores).
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