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Uma chama de esperança
Os bons resultados obtidos por um trabalho desenvolvido junto a jovens infratores no Jardim Ângela, um bairro repleto de problemas na periferia de São Paulo.
por Maysa Provedello, de São Paulo
O RAC tem três sedes instaladas em igrejas ligadas à paróquia dos Santos Mártires e a seguinte estrutura: 21 técnicos especializados (pedagogos, psicólogos, assistentes sociais, entre outros) e dez funcionários de apoio, além de salas para atendimentos psicológicos e aulas. Os juízes da zona sul da capital encaminham para lá os adolescentes que estejam, de alguma forma, com problemas relacionados a atos infracionais. A função do pessoal do RAC é integrá-los às atividades de classe das escolas públicas da região (com freqüência obrigatória e comprovada). A meta é reintegrá-los à comunidade num prazo médio de seis meses, que varia de acordo com a decisão judicial. No intuito de tornar a reintegração mais prática, o RAC também busca formas de prover conhecimentos profissionalizantes aos jovens, para que eles possam ingressar com maior facilidade no mercado de trabalho. Para isso, mantém diversas oficinas profissionalizantes que atendem, ainda, aos moradores locais (não infratores), interessados em aprender um ofício.
O Unicef considera o projeto um exemplo de prestação de serviços de medidas socioeducativas em meio aberto, sobretudo por mobilizar a comunidade, as famílias e os próprios adolescentes a tomarem decisões sobre as ações a serem adotadas para sua reintegração à sociedade. Também pelo método de abordagem que adota, embasado em arte e cultura, e pela elaboração de um plano de metas, denominado "planejamento de vida", feito em conjunto por psicólogos e pelos garotos e garotas atendidos. O acompanhamento cuidadoso de cada plano individual é o item que diferencia a iniciativa de outras ações similares. Cada técnico contratado é responsável por acompanhar, com uma lupa, o cotidiano, inclusive familiar, de 150 beneficiários. "Essa opção parece simples, mas é muito sofisticada porque inclui o adolescente no processo de decisão sobre a vida dele e está mais do que provado que isso funciona melhor do que obrigá-lo a cumprir tarefas que não dizem respeito à sua realidade", diz Mário Volpi, encarregado de projetos do Unicef.
Avaliação O acompanhamento dos procedimentos adotados e dos resultados obtidos é feito semanalmente pela Secretaria de Assistência Social da cidade de São Paulo (SAS) e, paralelamente, pela Febem. Além de verificar os relatórios de cada jovem, os técnicos das duas entidades visitam o projeto in loco. Mensalmente, todos os responsáveis por iniciativas similares em São Paulo se encontram para trocar informações e receber diretivas institucionais. Para cada adolescente em liberdade assistida, a Febem repassa 120 reais mensais e para aqueles que prestam serviços à comunidade a SAS destina 182 reais.
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