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Jogo de interesses
O acordo entre a União Européia e o Mercosul depende da Rodada de Doha
por Maria Helena Tachinardi, de São Paulo
Qual a relevância, hoje, de um acordo entre o Mercosul e a União Européia, que formaria a maior zona de livre comércio do mundo com 29 países e cerca de 700 milhões de habitantes? Depois de cinco anos de negociação, que teve seus momentos de otimismo, esperança, perda de ambição e impasse, aumentou a importância da conclusão de um acordo birregional de comércio porque se acelerou no mundo a formação de grandes blocos econômicos e se acirrou a disputa por preferências comerciais naqueles mercados. Atualmente, segundo levantamento do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Ícone), são 298 os acordos preferenciais de comércio no mundo, sendo que 241 são intra-regionais (82 na Europa, 59 nas Américas, 51 na Ásia-Pacífico e 22 na África). Os demais são 61 acordos recíprocos inter-regionais e 23 não-recíprocos. Portanto, é inevitável a marcha em direção ao regionalismo e ao bilateralismo.
Negociar, porém, não é fácil. O Brasil tem uma pauta de comércio com produtos agrícolas sensíveis nos grandes mercados, e competitividade em vários setores industriais, como têxteis, aço, calçados, papel e celulose. Não é simples negociar com as potências comerciais, que são protecionistas. O país termina 2004 com duas negociações regionais fracassadas (a da Área de Livre Comércio das Américas - Alca - e a do acordo UE-Mercosul), cujas conseqüências deverão ser sentidas no futuro. Sem as negociações, o ritmo de crescimento das exportações brasileiras poderá não se sustentar no futuro. É por meio das negociações que se consegue redução dos subsídios domésticos, eliminação dos subsídios à exportação, queda de tarifas e redução dos obstáculos de ordem sanitária e fitossanitária. Deve-se levar em conta que o tempo das negociações é normalmente mais longo que o do comércio (exportações e importações). Uma rodada multilateral ou uma rodada regional pode demorar de cinco a dez anos - e outros dez anos poderão ser necessários para a implementação dos acordos.
Na reunião ministerial de Lisboa, em 20 de outubro, ficou definido que as negociações UE-Mercosul continuarão no primeiro trimestre de 2005, já com os novos Comissários europeus - o britânico Peter Mandelson, do Comércio, que substituirá Pascal Lamy, e a dinamarquesa Mariann Fischer Boel, da Agricultura, que ocupará o lugar de Franz Fischler.
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