Publicidade
Edição 4
Fevereiro/2004

Publicidade
Caixa
Embraer
Imprimir

Jogo de interesses
O acordo entre a União Européia e o Mercosul depende da Rodada de Doha

por Maria Helena Tachinardi, de São Paulo

Paulo Amorim
O ministro das Relações Exteriores Celso Amorim (à dir.) e o grupo que participou da reunião entre Mercosul e União Européia, em Lisboa
O setor da economia brasileira que mais lamentou o desacordo entre a União Européia (UE) e o Mercosul para concluir as negociações comerciais, cujo prazo fatal era o final de outubro, foi o agronegócio. É fácil entender por quê. A UE é o principal mercado importador dos produtos agrícolas brasileiros. Alguns itens que o Brasil exporta para aquele bloco e nos quais é altamente competitivo, como as carnes (bovina e de frangos), o açúcar e a banana, estão sujeitos a quotas estabelecidas em níveis muito baixos. Se o Brasil, terceiro maior exportador agrícola mundial, dissesse sim às pequenas quotas tarifárias oferecidas pela União Européia, estaria aceitando condições que impediriam o crescimento das exportações brasileiras, hoje bem acima dos volumes contingenciados. Além disso, o Mercosul quer que a administração das quotas fique com os exportadores e não com os importadores europeus, conforme sugere a UE.

Nas carnes, os volumes contingenciados são tão pequenos e a demanda é tão grande, que o Brasil exporta volumes acima dos limites da quota pagando as tarifas mais elevadas impostas pela União Européia (a tarifa ad valorem extraquota é de quase 100% para a carne refrigerada desossada e de 176,7% para carne congelada desossada). O Brasil tem direito a uma quota de cinco mil toneladas anuais de carne bovina de alta qualidade na UE e exportou 70 mil toneladas além desse volume. A oferta formal feita pelos europeus para todo o Mercosul, em setembro, momento do impasse nas negociações, foi de 100 mil toneladas, sendo 60 mil na primeira etapa. Uma segunda etapa estaria sujeita aos resultados da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). Leve-se em consideração que o Brasil produz 7,3 milhões de toneladas de carne bovina e exporta 1,1 milhão de toneladas.

Negociação Em cortes de frango, a quota brasileira atual é de apenas 7,1 mil toneladas anuais, sendo que o Brasil destinou à Europa, em 2003, cerca de 250 mil toneladas. Juntando-se as carnes de peru, os volumes atingiram 300 mil toneladas. Portanto, as vendas do país para os europeus estiveram bem acima do limite estabelecido. O Brasil produz 7,5 milhões de toneladas de carne de frango e exporta para o mundo todo 1,9 milhão de toneladas. Os europeus ofertaram aos quatro sócios do Mercosul uma quota de apenas 75 mil toneladas de carne de aves (frango, peru e outras aves), sendo 45 mil toneladas na primeira etapa.

PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | Próxima >>


Copyright © 2007 - DESAFIOS DO DESENVOLVIMENTO
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação sem autorização.
Revista Desafios do Desenvolvimento - SBS Quadra 01, Edifício Bndes, sala 801 - Brasília - DF - Fone: (61) 3315-5188