
O Brasil está entre os oito países que mais investem em P&D, no The Economist Intelligent United Survey, mas é o 53º no ranking de competitividade tecnológica do Fórum Econômico Mundial |
Globalização, abertura de mercados e acirramento da competitividade internacional representam grandes desafios para governos e empresas.Os que não oferecem produtos diferenciados, de boa qualidade, a baixo custo, não encontram mercado. Isso significa que o fluxo de caixa diminui, criam-se menos empregos e toda a economia fica prejudicada. Para participar da roda econômica internacional, tornou- se necessário, em tempos recentes, promover investimento pesado em pesquisa e desenvolvimento - não em investigações teóricas apenas, mas naquelas que possam ser implantadas em parques industriais, com resultados mensuráveis.
O Brasil apresenta indicadores contraditórios nessa seara. Segundo uma pesquisa elaborada pelo The Economist Intelligent United Survey,braço do grupo britânico que publica a revista The Economist, hoje o país está entre os oito que mais investem em pesquisa e desenvolvimento (P&D).Também figura entre os seis mais citados como alvo de investimentos por multinacionais.Entretanto,no ranking de competitividade tecnológica do Fórum Econômico Mundial, o país ocupa a 53ª posição entre 122 países.O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) identificou cerca de 1,2 mil indústrias inovadoras, dado que preocupa a Confederação Nacional das Indústrias (CNI), cuja meta é chegar a 2010 com 4 mil empresas nessa categoria."Dispomos de competência empresarial, criatividade e qualificação técnica e científica. Precisamos articular um projeto de desenvolvimento, com cooperação pública e privada, no qual a inovação seja ingrediente essencial para alavancar a produtividade", diz Rodrigo da Rocha Loures, vice-presidente da CNI .
No II Congresso Brasileiro de Inovação na Indústria, realizado no final de abril em São Paulo, representantes do governo e da iniciativa privada mostraram-se dispostos a estimular a inovação.O momento, portanto, parece ser propício a uma maior movimentação."Nosso crescimento não é ruim,mas precisamos correr muito para não perder posição, e mais ainda se quisermos abrir novos espaços", diz Evandro Mirra, diretor de inovação da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).Poucos dias antes, em 19 de abril, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto que concede isenções tributárias a fabricantes de dispositivos eletrônicos, semicondutores, displays e equipamentos transmissores de sinais da televisão digital que invistam em projetos de P&D aprovados pelo governo. Se for mantido pelo Senado, empresas inovadoras terão redução de 50% do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre máquinas, equipamentos e outros bens destinados à pesquisa; e poderão deduzir suas despesas nessa área da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).
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| Laboratório de pesquisa de Biologia na Universidade de São Paulo: centro de excelência em investigação e formação de cientistas |
A preocupação é recente. Até pouco tempo atrás, trabalhos desenvolvidos por pesquisadores que poderiam ser aproveitados em linhas de produção permaneciam engavetados. O álcool combustível, da década de 1930, apenas muitos anos depois atingiu escala de mercado. A lembrança é de Leonard Sebio, pesquisador do Centro de Pesquisa em Tecnologia de Extrusão da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), de São Paulo. Ele desenvolveu um plástico biodegradável à base de amido de milho e gelatina, e batalha para sensibilizar o mercado, aperfeiçoar e disseminar sua inovação."Não podemos desanimar.Temos de acreditar na importância de nossos projetos", diz.
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