
No quesito prática esportiva, a modalidade preferida pelos entrevistados da pesquisa é a caminhada, sendo a primeira opção para 40% das mulheres e 21% dos homens |
Quem não se lembra dos "90 milhões em ação / pra frente, Brasil / salve a Seleção"? Na década de 1970, quando essa canção foi criada, seu objetivo maior era exaltar a euforia de um país que tomava partido (de preferência dos mandatários da época), mas que vestia a camisa, calçava as chuteiras e ia a campo na sua torcida eufórica por uma grande equipe, que se tornaria um dos maiores símbolos da nação. Independentemente dos vieses políticos, o que já se via naquela época era a percepção intuitiva, por parte dos dirigentes, de que o brasileiro, assim como muitos povos, sempre teve (e continuaria tendo) uma relação muito forte com os esportes, tanto no ato de praticar quanto no de torcer.
Os militares do Golpe de 1964 não foram os primeiros. Muito antes deles, Getúlio Vargas já sabia que falar a linguagem do esporte poderia ser um bom jeito de fazer política:muitas decisões daquele governo eram anunciadas no Estádio de São Januário, do Vasco da Gama, antes das partidas de futebol. E até hoje a regra continua valendo para o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que encontrou na metáfora esportiva o melhor jeito de discursar para o povo.
Por tudo isso, fica muito claro que o esporte tem um acesso fácil aos corações e mentes nacionais. Contudo, por muito tempo essa paixão ficou no escuro. Sabia-se que o brasileiro é fã de esporte, mas não o quanto. Até mesmo a adoração pelo futebol, que estudiosos como o antropólogo Roberto DaMatta já chamam de "instituição nacional", era mal dimensionada. Saber quantos, como, onde praticam e quais esportes era praticamente impossível.
Para todos que se interessam por esse assunto, a boa notícia é que estudos recentes ajudam a lançar luz sobre a relação do brasileiro com os esportes e, também, de como é a estrutura para a prática de inúmeras modalidades desportivas por todo o território verde-amarelo. O principal desses estudos é o Atlas do Esporte no Brasil, um esforço coletivo e virtual que está gerando o maior banco de informações esportivas do país, criado em fins de 2004. Outra novidade, mais recente, é o Dossiê Esporte, feito pelo Instituto Ipsos Marplan, sob encomenda do canal de TV por assinatura SporTV. Entre outras iniciativas, podem ser computadas também pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sobre municípios, e do Ibope, sobre torcidas. Pioneiros, esses estudos são preciosos para o balizamento do mercado esportivo nacional e das políticas públicas na área. Prometem dar um novo rumo ao mundo esportivo a partir de agora.
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Quantos praticam
| Nunca |
24% |
| Ás vezes/quase nunca |
22% |
| Quase sempre/regularmente |
31% |
| Sempre |
23% |
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| Dossiê Esporte |
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