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Edição 33
Julho/2006

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Combustível com futuro
Por Ottoni Fernandes Jr., de São Paulo

Hoje existem 336 de álcool operando no Brasil. Novos investimentos levam à previsão de que, até 2013 elas serão 409

Emissões Um estudo realizado pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) e pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), em abril de 2006, calcula que o consumo mundial de álcool combustível passará de 26 bilhões de litros anuais em 2004 (2,2% da gasolina consumida) para 205 bilhões de litros em 2025 se for adicionada na proporção de 10% à gasolina, cujo consumo chegaria a 1,7 trilhão de litros anuais.Atualmente, quarenta países já adotam políticas que obrigam misturar de 2% a 10% de etanol à gasolina utilizada por veículos.O objetivo é diminuir a dependência de petróleo importado e reduzir as emissões de gases que provocam o aumento da temperatura global,pois combustíveis que usam etanol extraído da celulose ou da cana-de-açúcar são cerca de 50% menos poluentes que a gasolina.E a simples mistura de 10% de etanol à gasolina diminui em até 19% a emissão de gás de efeito estufa. Outra vantagem do etanol é que gera muito mais energia do que é empregado no seu ciclo produtivo:no caso da cana-de-açúcar, cada unidade de energia fóssil utilizada no processo gera 8,3 unidades de energia renovável. O combustível extraído do milho gera apenas 1,4 unidade de energia renovável para cada unidade de energia fóssil, que é muito menos produtivo no quesito balanço energético.

A política energética norte-americana, com a meta de substituir 20% da gasolina consumida no país,em benefício do etanol, puxa a demanda e cria incentivos para produtores em todo o mundo. Já começam a ser construídas usinas comerciais nos Estados Unidos que apostam na conversão enzimática da celulose, como a da Iogen. Apesar das promessas do etanol celulósico, há um enorme mercado potencial para as usinas de álcool brasileiras, pois as taxas e tarifas que incidem sobre as importações norte-americanas devem cair antes de 2017. No entanto, esse objetivo só será atingido se houver aumento da produtividade e da área plantada, para não repetir o fiasco ocorrido no ano passado,com a alta do álcool combustível no mercado interno, no período da entressafra canavieira.O preço do etanol subiu para o valor mais alto em cinco anos e obrigou as distribuidoras de combustível a reduzir de 25% para 20% o volume misturado à gasolina.

Carvalho, da Única, garante que não haverá mais problemas na oferta de etanol, pois o potencial do mercado interno e internacional - e as vantagens competitivas brasileiras - atrai pesados investimentos para o setor,inclusive de grandes grupos estrangeiros." O número de usinas produtoras de etanol deverá passar das 336 unidades atuais para 409 na safra de 2012/ 2013, com investimento da ordem de 15 bilhões de dólares anuais", calcula Carvalho. O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) confirma esse boom de novos investimentos, pois o valor dos financiamentos de equipamentos e máquinas do banco para o setor subiu de 102 milhões de reais em 2005 para 237 milhões em 2006, como informa o diretor Cláudio Bernardo Junqueira,e deverá bater nos 370 milhões de reais no final deste ano. A abertura de novas usinas exige a ampliação dos canaviais, pois uma destilaria capaz de produzir 170 milhões de litros de etanol anuais absorverá a produção de cana-de-açúcar de uma área de 35 mil hectares se alcançar a produtividade de 85 litros de álcool por tonelada de cana.

Temor A saturação de regiões produtoras, como São Paulo,onde o custo da terra nua aumentou cerca de 130% entre 2002 e 2005, empurra as novas usinas para os estados do Centro-Oeste e Norte do país e aumenta o temor de ambientalistas de que a expansão resulte em destruição da floresta amazônica. Rodrigues,da Fiesp,descarta essa possibilidade, pois em sua conta existem 200 milhões de hectares de pastagens no Brasil; desse total, 90 milhões de hectares poderiam ser usados para a produção de alimentos e uma parcela de 22 milhões de hectares oferece condições para o plantio de cana-de-açúcar, sem deslocar a produção de carne ou leite, pois a pecuária brasileira consegue produzir mais na mesma área graças ao investimento em tecnologia. Mas o melhor caminho, propôs Rodrigues em entrevista para o site Inovação, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp),seria investir em pesquisa e desenvolvimento, o que possibilitaria dobrar a produção de etanol em dez anos,mantendo a mesma área plantada de cana-de-açúcar, da ordem de 6 milhões de hectares.

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