
Museus públicos e privados brasileiros enfrentam hoje uma batalha diária para garantir a sobrevivência no mercado cultural. Falta de recursos para melhorar a infra- estrutura, a programação e o acervo, além de carência de mão-de-obra qualificada, são as principais dificuldades apontadas pelas instituições.Das 2.285 unidades distribuídas no país, 76 estão com as portas fechadas,enquanto outras centenas convivem com o fantasma da crise.As estatísticas integram o Cadastro Nacional do Departamento de Museus e Centros Culturais do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, do Ministério da Cultura (Iphan/Minc).
Um dos anúncios mais recentes foi o fechamento em março,por tempo indeterminado, do Museu Internacional de Arte Naif do Brasil (Mian), no Rio de Janeiro, coordenado pela Fundação Lucien Finkelstein. À procura de parceiros,atualmente a instituição conta somente com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, na cobertura a um terço de suas despesas.O espaço cultural inaugurado em 1995 é considerado um dos mais importantes representantes mundiais do gênero de pintura intitulado de ingênuo e primitivo, com um acervo superior a 6 mil obras, algumas do século XV.
Ao completar 60 anos, o Masp, dono do maior acervo de arte moderna da América Latina , vê seus visitantes minguarem e suas dívidas crescerem
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"Não temos previsão de reabertura.Por enquanto,atenderemos visitas agendadas e monitoradas com no mínimo dez pessoas.
O museu aberto custa muito caro,desde a folha de pagamento até as contas de consumo. Nos últimos anos, tivemos dificuldades para consolidar projetos com a iniciativa privada e com outras fontes de recursos públicos.Estamos concentrando esforços nesse sentido para mudar esse quadro", afirma a diretora da instituição, a museóloga Jacqueline Finkelstein.
Ao completar 60 anos, o maior acervo de arte moderna da América Latina,o Museu de Arte de São Paulo - Assis Chateaubriand (Masp), também não escapa aos problemas financeiros e vê seu público minguar ano a ano.Administrado pela sociedade civil sob a presidência do arquiteto Júlio Neves, a instituição, nos últimos anos, acumulou um caixa negativo que chega a 10 milhões de reais.
Sem uma solução imediata,o atual curador coordenador do Masp, o crítico de arte Teixeira Coelho,defende que uma das saídas para revitalizar a instituição é investir na formação de coleções mais completas e atrativas ao público, por meio da troca de obras de determinados artistas com outras instituições, além de buscar efetivamente patrocinadores.O patrocínio foi o único meio de garantir recentemente a mostra de uma coleção internacional de obras do artista espanhol Francisco de Goya.
A parceria público-privada parece ter se tornado imprescindível.Pelo menos essa é a opinião de Vera Lúcia Bottrel Tostes, diretora do Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, uma unidade federal inaugurada em 1922, detentora de um dos maiores acervos nacionais, superior a 268 mil peças."Hoje,mais de dois terços dos recursos da instituição, 3,8 milhões de reais, provêm de convênios,e cerca de 1,7 milhão de reais vêm do Iphan,valor que é destinado à manutenção básica de infra-estrutura", diz.Para manter um público anual na faixa de 150 mil pessoas, a diretora conta que é estratégico recorrer à versatilidade.
"Promovemos exposições temporárias,espetáculos de música,teatro e programação para crianças, além de outros eventos culturais", relata.
A maior dificuldade enfrentada pelo Museu, segundo a diretora, é a renovação e a ampliação de seu quadro funcional, preenchido por 70 profissionais fixos e o mesmo número de temporários.Em concurso aberto pelo Iphan no ano passado, a unidade recebeu só um arquivista e um historiador." Nosso acervo é muito grande e precisamos de profissionais especializados.
Algumas técnicas têm de ser passadas de geração para geração e não se aprendem só na universidade.Mantemos cursos de formação, mas não conseguimos captar essa mão-de-obra, que acaba indo para outras opções mais atrativas financeiramente no mercado", constata Tostes.O maior exemplo desse déficit operacional está na manutenção da coleção de moedas do museu, que é a maior da América Latina."Só temos dois profissionais para cuidar do acervo e um deles está prestes a se aposentar."
Para Cristiana Tejo, diretora do Museu Municipal de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam), no Recife (PE), o trâmite lento da viabilização dos recursos provenientes de órgãos governamentais é outro fator que obriga os gestores a buscar o auxílio da iniciativa privada."A verba institucional geralmente só cobre as despesas básicas e a programação anual e não dá para fazer obras de manutenção", relata.
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