Para realizar os novos estudos na Amazônia, a Extracta terá de ampliar a parceria com a UFPA, em Belém, onde já construiu uma central de extração semelhante à do Rio |
Substâncias Os resultados a que se refere o cientista são os dez compostos puros já mencionados, 14 adicionais, além de 10. 608 extratos alcoólicos e 29. 847 frações, totalizando 40. 479 substâncias prontas para serem testadas contra qualquer alvo biológico. É a maior e mais detalhadamente registrada coleção de produtos naturais da América Latina. Mantido em segredo industrial, esse material compõe o banco de biodiversidade química, que é a alma da empresa.
A existência física desse banco se traduz na câmara fria. É nela que as substâncias ficam armazenadas a menos de 30º C. "O acordo com a Glaxo foi fundamental para a estruturação da companhia. Só o maquinário de última geração que utilizamos custa 1, 5 milhão de dólares. Para ter idéia, nós montamos a primeira instalação industrial brasileira capacitada a executar as tecnologias de triagem biológica de alta velocidade. Sem falar que, para operar plenamente, a empresa precisa empregar de trinta a quarenta profissionais finamente treinados, desde doutores e mestres até técnicos de nível médio, com salários que oscilam entre 2 mil e 10 mil reais. "Acima de tudo, o contrato permitiu a constituição da base para o desenvolvimento dos nossos produtos de entrada no mercado. Atualmente, nosso capital gira em torno de 9 milhões de reais. Triplicamos o capital inicial", afirma Carvalho, que também é fundador da Associação Brasileira das Empresas de Biotecnologia (Abrabi).
Antibiótico Criada para atender às grandes indústrias farmacêuticas nacionais e internacionais, a Extracta aposta hoje na produção de um antibiótico para infecções de pele. "Estamos investindo dinheiro da empresa para levar o produto até a fase de testes clínicos e comprovar sua eficácia. Assim, conseguiremos vender a licença à indústria farmacêutica, que ficará responsável pelo investimento final. A expectativa é que o medicamento chegue às prateleiras das farmácias em dois ou três anos. Acredito que podemos fazer um antibiótico mais barato e melhor do que os existentes hoje no mercado", diz o presidente da Extracta.
Com o medicamento, a estratégia da empresa é abrir caminho para o desenvolvimento de antibióticos contra infecções hospitalares. Por trás dos três compostos puros isolados contra o Staphylococcus aureus, estão 49 plantas antibióticas. Desse grupo, a Extracta identificou quinze com nível de atividade biológica muito próximo à vancomicina, uma substância pura trabalhada há anos pela indústria farmacêutica e bastante utilizada no tratamento de infecções hospitalares. A empresa acredita que essas plantas são ótimas candidatas a fitoterápicos, para a venda no Brasil, na Europa e nos Estados Unidos.
As perspectivas são muito boas. A Extracta está prestes a assinar um contrato intermediário de 250 mil dólares com uma empresa nacional, cujo nome não pôde ser revelado, que vai financiar a implantação de um grande banco de biodiversidade química no Pará. O projeto prevê o georeferenciamento de toda a bacia amazônica. O objetivo é entender sua dinâmica, analisando desde a queda das chuvas e as mudanças de temperatura até a vazão dos rios e o impacto disso tudo nas florestas ao redor. A previsão é que, após oito meses de trabalho, as duas empresas assinem um contrato maior, de 2 milhões de dólares. "O segundo contrato nos permitirá prosseguir com o trabalho de bioprospecção, o que resultará em definir que certas plantas têm muita utilidade no tratamento de determinadas doenças e que precisam ser cultivadas localmente. Vamos aproveitar esse cultivo para produzir extratos, uma atividade muito mais avançada do que derrubar árvores. As comunidades que receberem esse aporte de tecnologia vão vender o produto para uma cadeia de agregação de valor industrial até os grandes mercados, possibilitando o retorno de benefícios. Nós queremos que, junto com os produtos, sejam aproveitados os intelectos humanos escondidos no meio da floresta. No desenvolvimento local, o que importa não é só o fluxo de ida e volta de recursos financeiros e materiais, mas de gente. É preciso abrir oportunidades", explica Carvalho.
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| Câmara fria onde fica o maior banco de produtos naturais da América Latina (ao alto, à esquerda). António Paes de Carvalho, presidente da Extracta (ao alto, à direita). Laboratório da empresa, com equipamentos de triagem biológica de alta velocidade (acima) |
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