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Edição 33
Julho/2006

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Remédio para tudo

Por Gustavo de Paula, do Rio de Janeiro, RJ

Alexander Feig/Getty Images

O Brasil é dono da maior biodiversidade do planeta. Dos quase 2 milhões de espécies catalogadas pela ciência, estima-se que 15% habitem o território brasileiro. Pesquisadores acreditam também que 70% das plantas existentes no mundo podem ser encontradas aqui. O número de espécies com sementes no país gira em torno de 60 mil, o equivalente a 22% do total já descoberto pelo homem. Até pouco tempo atrás, no entanto, o Brasil ainda não havia encontrado uma maneira de agregar valor a seu riquíssimo patrimônio genético, transformando- o em instrumento concreto para o desenvolvimento econômico e social, sem prejuízo para o meio ambiente. Nossa gigantesca biodiversidade estava sob o risco de transformar-se num troféu guardado na estante. Mas a ousadia de uma pequena empresa carioca vem mudando os rumos da biotecnologia nacional e abrindo caminho para a produção de fármacos baseados na natureza brasileira.

Fundada em 1998, por um grupo de cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Extracta Moléculas Naturais foi a primeira empresa privada a obter uma licença especial do Ministério do Meio Ambiente para acessar o patrimônio genético brasileiro e constituir uma coleção comercial de amostras da biodiversidade do país. A autorização do Conselho de Patrimônio Genético (CGEN) foi concedida em junho de 2004. A trajetória de pioneirismo da empresa, porém, começou cinco anos antes. Em 1999, a Extracta conseguiu firmar com a então Glaxo Wellcome um contrato de 3, 2 milhões de dólares, na época o maior acordo de terceirização tecnológica ao sul da Linha do Equador. O interesse da multinacional era fazer com que um grande número de elementos naturais extraídos da flora brasileira fosse testado contra alvos biológicos específicos, possibilitando a identificação de novas drogas. Cabe lembrar que a Medida Provisória (MP) 2. 186, que instituiu o CGEN e regulamentou o acesso e a utilização do patrimônio genético, foi editada apenas em agosto de 2001.

Passados três anos da assinatura do contrato, a Extracta havia isolado dez compostos puros para a Glaxo. A multinacional, no entanto, não quis exercer a opção contratual de licença exclusiva para comercialização. O acordo foi encerrado em 2003. "Nós determinamos sete inibidores de elastase, uma enzima cujo distúrbio é responsável por doenças pulmonares crônicas, e três produtos antibióticos contra infecções hospitalares de Staphylococcus aureus resistente à meticilina. Durante o trabalho, porém, ocorreu a fusão com a Smith Kline, e a Glaxo mudou sua política de desenvolvimento científico, direcionando o foco para a engenharia genética. Com isso, a multinacional decidiu não prosseguir com o projeto e assinou um destrato nos doando todos os resultados", conta Antonio Paes de Carvalho, presidente da Extracta.

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