Paulo Roberto de Almeida
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Comércio Exterior e Negociações Internacionais:Teoria e Prática
Demétrio Magnoli e Carlos Serapião Jr.
Ed. Saraiva, 2006, 378 p. , R$ 79, 00 |
A arte de atirar nos próprios pés
Essa obra não deveria figurar nas estantes de negócios ou de administração, e sim nas de livros de terror. A lista de horrores nele descrita, da qual deriva nosso baixo crescimento, não dá margem a dúvidas.
São catorze capítulos, todos contendo a palavra "custo"no enunciado, e um último capítulo sobre as boas práticas (de outros países, of course). O autor deixou de mencionar um 15. º custo, que, para ele, todavia, é lucro: o fato de tantas pessoas, entre economistas, professores e jornalistas, terem de ocupar-se de questões como essas, males auto-infligidos, problemas criados para infernizar a vida empresarial e convertê-la numa atividade a um só tempo heróica e temerária.
Não por outra razão tantos brasileiros preferem, à saga insana de começar a vida como empreendedores, prestar concurso para algum cargo público, qualquer um. É o hobby preferido de 95% de meus alunos de graduação e de pós, uma atitude, na verdade, perfeitamente racional: por que iriam eles enfrentar a selva de dificuldades burocráticas, quando é tão mais fácil triunfar na vida gozando da estabilidade e da tranqüilidade de um emprego público?
Certamente, o Estado tem muito a ver com a lista demoníaca de custos identificados por Roth: tributação, infra-estrutura precária, corrupção, burocracia, informalidade, custo do capital, morosidade legislativa, lentidão judiciária, educação deficiente, falta de políticas setoriais, ineficiência geral das instituições e vários outros males que são essencialmente made in Brazil, mantidos pela nossa incapacidade em fazer reformas. Apenas sobre o primeiro dos custos, o autor lista nada menos do que 76 tributos federais, doze estaduais, quinze municipais, além de cinco outros "latentes", isto é, que podem vir a ser implementados, num total de 109 impostos, taxas e contribuições, sem contar pedágios e cobranças por serviços específicos.
Os escandinavos, mais tosquiados do que os brasileiros, nunca acrescentaram ao peso impositivo a burrice das obrigações declaratórias, que constituem outra forma de
tortura. O Brasil é hors concours nesse tipo de bobagem, ainda mais irracional na era da tecnologia das informações. Mas deixemos de lado o desfile de horrores. Melhor consultar o benchmark de experiências bem-sucedidas descritas no último capítulo.
Como diz o autor, o foco dos problemas abordados no livro "está relacionado com a presença do governo na vida do cidadão e no ambiente de negócios" (p. 171). As recomendações são simples e já foram feitas inúmeras vezes: fazer, pela Internet, abertura de empresas, compras governamentais e recolhimento unificado de impostos, fixar prazos para as ações do governo (e de seus responsáveis), reduzir o custo da mão-deobra (principal fator de informalidade). Os maiores obstáculos ao crescimento, porém, estão nas enormes despesas públicas, e a conseqüente carga fiscal desmesurada, o que exigiria tratamento imediato, e na baixa qualificação educacional da população, cuja solução demandará mais tempo. Tudo isso é bem conhecido de todos nós. Parece claro que a classe política não está à altura de suas responsabilidades. Talvez com livros como esse a sociedade se conscientize de vez que estamos atirando todos os dias em nossos próprios pés...
Paulo Roberto de Almeida
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Por Que Não Crescemos como Outros Países?: Custo Brasil
João Luiz Roth
Ed. Saraiva, 2006, 194 p. , R$ 31, 00 |
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