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livros e publicações
Comércio e diplomacia: história e atualidade A editora Saraiva precisa corrigir a
ficha catalográfica desse livro, pois ela registra "negócios", não "negociações internacionais", como seria o certo. No mais, trata-se de uma obra correta: indispensável, mesmo, em muitos cursos de graduação em relações internacionais (talvez alguns de pós também), que costumam servir aos alunos uma mistura de antiglobalização com preconceitos contra o livre comércio. Escrito por um diplomata e um pesquisador acadêmico, o livro combina méritos inegáveis nos dois campos em que ele pode ser considerado excelente: a reconstituição sintética da evolução histórica do comércio internacional, do mercantilismo à globalização; seguida de uma exposição igualmente breve, mas adequada, das teorias sobre o comércio internacional. Pena que essa parte se encerre por um capítulo solitário de "introdução às negociações internacionais". A última parte tenta substituir esse vasto campo tratando do processo decisório em política comercial, mas seus dois capítulos são desiguais e algo insatisfatórios. O filet mignon do livro está no trecho sobre "política comercial brasileira", apesar de restrita por se ater basicamente às experiências do Mercosul, da Alca, da Organização Mundial do Comércio e de outras negociações. Essa parte é relevante, mas um pouco dependente de matérias de jornais, de comunicados de chancelarias e de artigos de revistas. Os autores citam casos concretos que ilustram a política comercial praticada pelo Brasil, mas o conjunto dá a impressão de uma assemblagem heteróclita de episódios conjunturais ilustrativos da teoria, antes que uma análise sistemática da essência e da prática da política comercial. Essa parte demonstra, também, que mesmo autores experientes no tratamento de questões internacionais podem incorrer em postura enviesada na avaliação do mérito relativo de políticas comerciais concretas. Em perspectiva implicitamente comparativa em relação às posturas adotadas, respectivamente, pelo Mercosul e pelo Chile - membro associado do bloco desde 1996 e cortejado, desde sempre, para um "ingresso pleno"-, os autores revelam visão involuntariamente introvertida, ou "mercosuliana", dessas relações. Eles acham, por exemplo, que a aceitação pelo Chile de um acordo de livre comércio com os Estados Unidos "distanciou, ainda mais, do ponto de vista político, o Chile do Mercosul"(p. 324), como se a política comercial do Mercosul fosse o paradigma pelo qual devessem ser julgadas as políticas comerciais de outros países. Do ponto de vista estritamente econômico, parece bem mais racional a "entrada" do Mercosul no Chile do que o inverso, observados o coeficiente de abertura externa e as duas dúzias de acordos de livre comércio já concretizados pelo país andino. Diversas passagens revelam ambigüidade no pensamento dos autores, como é o caso da teoria das vantagens comparativas. Eles acham que "o livre comércio foi uma ideologia nascida na Grã-Bretanha que foi decisiva para a abertura de mercados externos para os produtos industrializados britânicos" (p. 180), esquecendo-se de que a abolição das "leis dos cereais" se deu com vistas ao abastecimento do mercado interno daquele reino em produtos importados. No cômputo global, porém, e levandose em conta a pobreza da bibliografia nessa área, o livro de Serapião e Magnoli preenche de modo satisfatório a necessidade de atualização da literatura e de discussão bem embasada dos principais problemas ligados ao comércio internacional para os cursos pertinentes (relações internacionais, economia e administração, quando não os de ciência política ou ciências sociais aplicadas, de modo geral). Numa próxima edição, sugere-se que os autores eliminem o caráter de "assemblagem" de matérias de jornais, sistematizem e uniformizem sua reflexão sobre todos os pontos tratados e produzam um verdadeiro textbook acadêmico sobre políticas e negociações comerciais.

