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Edição 32
Junho/2006

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Pesquisa Andréa Wolffenbüttel
Texto Eliana Simonetti


Novos materiais I

Embalagem plástica inteligente

Entrou em fase de testes um filme plástico para embalagens feito à base de amido de mandioca e açúcares que é biodegradável e comestível. Além disso, ele tem propriedades bactericidas e muda de cor de acordo com o estado de conservação de seu conteúdo. Foi desenvolvido por Cynthia Ditchfield, pesquisadora do Laboratório de Engenharia de Alimentos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). A notícia é muito boa. Segundo a Associação Brasileira de Embalagens, são reciclados apenas 16, 5% dos cerca de 4 milhões de toneladas de plástico consumidas anualmente no Brasil. A estimativa para a decomposição do material no ambiente é cem anos e, em todo o planeta, busca-se a criação de um polímero natural biodegradável. Mas a pesquisa brasileira vai mais adiante. A adição de cravo e canela, antimicrobianos naturais, resulta em aumento da vida útil do produto embalado. Extratos naturais de repolho roxo, uva e cereja, pigmentos que mudam de cor com o pH, indicam o grau de deterioração e oferecem segurança ao consumidor.

Genética

Mais perto do café perfeito

EmbrapaApós cinco anos de pesquisa, cientistas brasileiros e franceses identificaram genes responsáveis pela acumulação de açúcar no grão de café, que, durante a torrefação, libera aroma e sabor, alterando suas qualidades originais. Com isso, garantem estar mais próximos da produção de uma bebida perfeita. O trabalho, que envolve o Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (Cirad), da França, e o Instituto Agrícola do Paraná, do Brasil, visa agregar valor ao produto, cujo preço no mercado internacional, atualmente, é inferior ao registrado há duas décadas, segundo a International Coffee Organization.

Carro elétrico

Modelo nacional estará no Pan

O primeiro carro elétrico produzido no Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Montagem de Veículo Elétrico, instalado na Usina Hidroelétrica de Itaipu, em Foz do Iguaçu, no Paraná, será usado pela Eletrobrás nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. O veículo tem autonomia de 120 quilômetros e atinge velocidade de 130 quilômetros por hora. Agora, o desafio é melhorar a bateria, de tecnologia européia, que demora oito horas para ser carregada. Até dezembro, o centro testará outros dezesseis modelos. A intenção inicial é produzir nos próximos cinco anos veículos comercialmente competitivos com componentes nacionais que atendam à demanda das companhias de energia interessadas em reduzir as despesas com combustível. O motor está sendo desenvolvido pela empresa catarinense Weg. A linha de montagem, implantada pela Fiat, fica num galpão de 2, 2 mil metros quadrados dentro das instalações de Itaipu e, a princípio, deverá empregar doze pessoas.

Novos materiais II

Porcelana de osso

Com cinzas de ossos bovinos, caulim e feldspato, o físico Ricardo Yoshimitsu Miyahara, do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), produziu uma porcelana de ossos mais branca, leve e resistente do que a comum. O material, superior ao feito na Inglaterra desde o século XVIII, pode ser utilizado na confecção de próteses odontológicas. Produzida também nos EUA e na China, a porcelana de ossos tem elevado custo de importação. Segundo o pesquisador, como o Brasil é grande criador de gado e tem tradição na fabricação de produtos cerâmicos, poderá se tornar exportador da nova porcelana.

Voto tecnológico

Biometria nas urnas

As eleições de 2008 terão uma novidade nos estados de Mato Grosso do Sul, Rondônia e Santa Catarina: urnas dotadas de um dispositivo de leitura que permite o reconhecimento do eleitor pela impressão digital. Os leitores biométricos foram colocados em 25. 538 máquinas compradas para as eleições de 2006, mas não foram usados. Agora, para viabilizar sua utilização, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está ajustando o programa de seu banco de dados e fará o cadastramento das impressões digitais dos eleitores dos três estados. É mais um avanço numa área em que o Brasil detém tecnologia de ponta. O sistema desenvolvido aqui já foi transferido para Argentina, Equador, Costa Rica, República Dominicana e México.

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