
No mundo todo existem cerca de 600 milhões de pessoas com mais de 60 anos de idade, o que corresponde, aproximadamente, a 10% da população da Terra |
Provavelmente, nunca foi tão difícil como hoje caracterizar uma pessoa idosa. Os antigos clichês não se aplicam mais. Os aposentados de pijama e as senhoras que passam os dias a fazer tricô desaparecem aos poucos e dão lugar a figuras muito diferentes. Quem tem medo de envelhecer não se assusta mais com frases do tipo "Eu sou você amanhã", ícone de um famoso comercial dos anos 1970. Ao que tudo indica, o amanhã parece cada vez mais promissor.
Yara Lígia Lemos, de 61 anos, psiquiatra, com mestrado em psicanálise, mora na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e acabou de arrumar um namorado. O rapaz é um pouco mais jovem do que ela, o que só ajuda na hora de ir para a balada, para a praia ou como incentivo para a compra de novas e mais modernas roupas. Ela é a prova viva de que os sexagenários continuam na ativa. Quem ainda tiver alguma dúvida, basta esperar chegar ao Brasil o quinto filme da série Rocky, no qual o ator Sylvester Stallone mais uma vez aparece no papel do famoso boxeador. Ele apresenta, aos 60 anos de idade, todo o seu vigor físico, evidenciando que a vida continua muito bem depois da sexta década.
A bola cristal dos pesquisadores sociais aponta para uma espécie de personagempadrão do futuro. Seria um idoso high-tech, celular na mão, piercing na orelha, adepto do videogame, consumista, trabalhador ativo, reivindicador político, com mais escolaridade e mais renda que seus próprios avôs e beneficiado pela tecnologia médicocosmetológica. Com vários casamentos, poucos filhos, e levando vida autônoma, a única semelhança que ele manteria com os idosos de antigamente seriam as queixas de que os filhos e os netos só dão despesas e não lhe dedicam a atenção devida.
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