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Edição 32
Junho/2006

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A grama do vizinho
No final de 2001, a Argentina parecia condenada a queimar no fogo do inferno. Em plena recessão, com taxas estratosféricas de desemprego e atravessando uma profunda crise política, poucos apostariam que seis anos depois o vizinho estaria registrando crescimento do PIB na casa dos 8% e ostentando um risco-país inferior ao do Brasil. Como foi que isso aconteceu?

Por Giedre Moura, de São Paulo

"A primeira coisa que deve ficar clara é que o caso da Argentina é absolutamente excepcional. Dificilmente se pode extrair algo a ser experimentado pelo Brasil"

O editor de vídeo Marcelo Kohek voltou deslumbrado de sua viagem de ano-novo a Buenos Aires. O encantamento não é fruto apenas da conhecida beleza arquitetônica da cidade, ele vem mais do bolso do que dos olhos."Lá o ônibus custa menos da metade que em São Paulo.Tudo é mais barato!"A surpresa vivida na estada de alguns dias na capital portenha fez com que o editor cogitasse seriamente a hipótese de mudar para um país aparentemente mais tranqüilo e barato que o Brasil.

Ficar impressionado com a Argentina, cinco anos após uma crise econômica que deixou mais de 50% da população abaixo da linha de pobreza,não é coisa só de turista. O mesmo tom de admiração pode ser notado nas declarações de economistas, que não escondem elogios - e alguns a surpresa - por ver como a Argentina conseguiu sair daquele que foi considerado um dos maiores colapsos econômicos da América Latina.Alguns poucos,mais céticos em relação aos feitos do governo, acreditam que pode se tratar de uma nova bolha. Mas a conclusão de todos é uma só: a Argentina do ano 2007 é um país completamente diferente do passado.

As taxas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) na casa dos 8%, já por alguns anos consecutivos, colocam uma dúvida no peito de países vizinhos que mal conseguem crescer 3%, como o Brasil.A lógica simplista é: por que não adotar o modelo argentino, dar calote, proteger o mercado interno, gerar emprego e crescer de forma significativa? Bem, as coisas não são exatamente fáceis assim."A primeira coisa que deve ficar clara é que o caso da Argentina é absolutamente excepcional. Dificilmente se pode extrair algo a ser experimentado pelo Brasil, ou por qualquer outro país, que amarga baixas taxas de crescimento",alerta o embaixador Rubens Ricupero,diretor da Faculdade de Economia da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap),em São Paulo."É como querer exigir da Inglaterra uma modernização como a que a Alemanha e o Japão passaram após a Segunda Guerra Mundial.A tão falada modernidade alemã só veio porque o país foi destruído e precisou se reconstruir", exemplifica Ricupero.

Reuters/Enrique Macarian
Centenas de desempregados protestaram na Plaza de Mayo, em Buenos Aires, durante a recessão, em 2003

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