Publicidade
Edição 32
Junho/2006

Publicidade
Caixa
Embraer
Imprimir

Renato Baumann
É para valer ou não é?

Por Andréa Wolffenbüttel, de Brasília

Desafios - O senhor é um otimista?
Baumann -
Sou, mas também sei que é preciso chegar a algumas definições urgentemente. Por exemplo, o que fazer para dar percepção de ganho aos sócios menores? Essa é uma questão crucial. Eu estive falando de Mercosul no Nordeste e fiz uma provocação. Disse que, em algum momento, a sociedade brasileira vai ter de definir se põe algum recurso do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) no Nordeste, que é a região mais carente do país, ou se põe esses recursos para financiar os investimentos de uma indústria na região metropolitana de Assunção.

Desafios - Esse dilema vai ser um caos...
Baumann -
É para ter o Mercosul? É ou não é? Se é para ter o Mercosul, deve-se ter alguma complementaridade produtiva. É preciso viabilizar as condições de oferta nas quatro economias. Onde é que está a carência maior? Nos dois sócios menores. Só há um jeito, então: fazer um jogo de soma positiva. É somar esforços para esperar o crescimento do mercado de forma que todos ganhem. Porque até agora tem sido um jogo de soma zero. É toma-lá-dá-cá. Eu abro o setor tal, você abre o setor tal. Isso é uma manobra para um participar do mercado do outro. Na hora em que somarmos esforços para explorar de forma conjunta terceiros mercados, todos ganham. Mas, para isso, é preciso ter parques produtivos que falem entre si, iniciativas comerciais conjuntas, uma política de Estado, uma geopolítica que comporte esse tipo de coisa. E isso exige recursos.

Desafios - Existe essa vontade política por parte dos governos de Brasil e Argentina?
Baumann
- Desde a administração Fernando Henrique, e certamente intensificando- se na administração Lula, há uma tentativa de recuperação, de estreitamento dos laços com os vizinhos. Sem dúvida. Atualmente, existem linhas de financiamentos do BNDES, coisa que nunca existiu. Existe o fundo de investimentos, que nunca existiu. Existem também medidas claras nas quais o governo brasileiro procura identificar oportunidades para venda no mercado brasileiro de produtos paraguaios, uruguaios e argentinos. São iniciativas importantes, mas certamente não suficientes. É preciso estabelecer uma política de compras governamentais que use a capacidade de compra do governo brasileiro para, por exemplo, alavancar uma indústria uruguaia, sei lá...

Desafios - Mas vai ser outro caos aqui...
Baumann -
Mas esse é o ponto. É para valer ou não é?

PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7


Copyright © 2007 - DESAFIOS DO DESENVOLVIMENTO
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação sem autorização.
Revista Desafios do Desenvolvimento - SBS Quadra 01, Edifício Bndes, sala 801 - Brasília - DF - Fone: (61) 3315-5188