Seis meses depois de ter acesso à energia, 80% das famílias de Encruzilhada tinham adquirido telefone celular. Para elas, o único meio de comunicação com a cidade |
Apoio A esta altura, Fábio Rosa atraiu outros apoiadores, entre eles a Fundação Schwab, da Suíça, ligada ao Fórum Econômico Mundial, do qual Rosa já participou quatro vezes. Lá, ele foi colocado em contato com uma fundação familiar holandesa que, em 2004, doou anonimamente 103 mil euros por meio da Schwab, aproveitando um mecanismo legal que autoriza abater esse tipo de doação do Imposto de Renda. "O que essa fundação holandesa está fazendo é um investimento na utopia. Ela é quase uma ação entre amigos. É pouquinha gente. Hoje é mais fácil, para mim, conseguir dinheiro no exterior do que no fundo do Luz para Todos, que foi um troço que eu inspirei. Então, fico fazendo projetos e mandando para todos os lugares. "
O problema é que o Luz para Todos só admite negociações com as concessionárias de energia. Rosa está em campanha, novamente, para alterar a lei. Conseguiu fazer chegar à Câmara dos Deputados, em Brasília, um Projeto de Lei instituindo o Programa Brasileiro de Geração de Energia
Elétrica, que aceita a figura do gerador independente. " Esse negócio muda de língua, de país, mas é sempre igual:o modelo construído está todo voltado para as concessões e não admite os pequenos agentes de energia - os Ideaas da vida. Fizemos um estudo profundo do marco regulatório da geração centralizada no Brasil, das questões de acesso à energia e concluímos que é preciso introduzir outras figuras, independentes e sustentáveis, não no sentido de hostilizar as concessionárias, mas para a sociedade ter outras ferramentas. " Ele sabe que o processo provavelmente levará anos. Não importa, nunca viu nada nessa área mudar de um dia para o outro. Apenas acha que as concessionárias podem colaborar para o desenvolvimento dessa cultura de gestão descentralizada. "Há cem anos, não sabiam falar disso, só sabiam trocar lampião a gás, e se modificaram. É uma teoria de contaminação do mundo oficial. O modelo atual é bom para as cidades, mas não é universal. Temos de reconhecer que essas populações rurais são desinteressantes para esse tipo de companhia: consomem pouco, dão trabalho e expõem a concessionária aos rigores da regulamentação - ninguém vai querer levar uma multa da Aneel por não fazer uma religação no prazo estipulado, por exemplo, por causa de uma conta de luz de 10 reais por mês. "
Filosofia Mas não será mais essa dificuldade que irá desanimar Rosa. Enquanto espera que os processos se resolvam, ele filosofa:"A única coisa que podemos fazer é inspirar os outros a entender quem precisa muito da ajuda de outras pessoas. Fazer é fazer bemfeitinho, ver o que funciona, ver as falhas a aperfeiçoar continuamente. Criar coisas novas e difundir. "No futuro, a idéia é formar um centro internacional de geração descentralizada. " Se somos referência no mundo, então é mais fácil as pessoas virem ver o que está acontecendo aqui do que eu viver viajando para Índia, África. . . A filantropia não vai ter dinheiro para financiar tudo, vai ter de chamar o capital privado, vai ter de virar negócio", conclui.
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| Placa captadora para geração de energia solar no alto de uma casa na Serra da Boa Vista (RS) |
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