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Edição 31
Maio/2006

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Entrevista
Ciro de Quadros
Saúde é o que interessa

Por Andréa Wolffenbüttel, de São Paulo

Com as novas e mais caras tecnologias, ocorre uma ineqüidade: os que não têm continuam não tendo e tendo menos, e os que têm continuam tendo e tendo mais

Claudio Gatti/Prensa TrêsFaz dois anos que o prestigioso Instituto Sabin de Vacinas, fundado após a morte do célebre cientista, está sob o comando do brasileiro Ciro de Quadros. A gestão do médico gaúcho tem sido marcada por iniciativas que buscam levar às populações mais pobres os benefícios da ciência. De seu escritório, em Washington, nos Estados Unidos, ele conversou por telefone com Desafios e contou quais são as dificuldades e as vitórias de sua missão.

Desafios - Quais os maiores desaf ios que o mundo enfrenta em termos de vacina?
Quadros
- A questão mais imediata é levar as vacinas até quem precisa. A cada ano morrem mais de 10 milhões de crianças com menos de 5 anos de idade e a maioria dessas mortes poderia ser evitada com as vacinas. Meio milhão morrem por sarampo, 1 milhão por pneumonia, 600 mil por rotavírus, ou seja, são todas doenças podem ser perfeitamente prevenidas. Portanto, o desafio fundamental, neste momento, é como aplicar as vacinas o mais rápido possível. Tanto as vacinas mais antigas como as mais novas. Isso é muito importante, porque em geral levam-se muitos anos entre o desenvolvimento da tecnologia e o benefício que ela pode trazer para a humanidade. Com o advento de novas e mais caras tecnologias, está ocorrendo uma grande ineqüidade: os que não têm continuam não tendo e tendo menos, e os que têm continuam tendo e tendo mais.

Um gaúcho que foi longe

Nascido no interior do Rio Grande do Sul, em Rio Pardo, cidade que ele faz questão de lembrar que já foi capital da província meridional, o jovem Ciro de Quadros rapidamente deixou a terra natal. Recém-formado em Medicina pela Faculdade Católica de Medicina do Rio Grande do Sul, em 1966 fez um estágio em Pernambuco e aceitou o convite para ser chefe do Centro de Saúde de Altamira, na Amazônia. Foi quando entrou em contato com as dificuldades vividas pelas populações mais necessitadas e descobriu sua vocação. Mudou- se para o Rio de Janeiro para estudar Saúde Pública na Fundação Oswaldo Cruz. Voltou para a região Sul e cooperou com o programa de erradicação da varíola no Paraná. Aproveitou o conhecimento adquirido ao ir para a Etiópia, onde viveu durante sete anos, trabalhando para a Organização Mundial da Saúde (OMS). Após essa experiência, foi chamado para assumir a diretoria do Departamento de Vacinas da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), em Washington, DC. Desde então, o dr. Quadros mora na capital dos Estados Unidos. Ele se orgulha de ter lançado os programas de erradicação da poliomielite, do sarampo e da rubéola nas Américas. Atualmente, viaja o mundo em busca de recursos para levar novas e antigas vacinas para os países mais pobres da África e da Ásia. Em outubro de 2004, foi eleito membro do Instituto de Medicina da Academia Nacional dos Estados Unidos, honra concedida apenas àqueles que fizeram grandes contribuições para o avanço da ciência médica e da saúde pública. Parabéns, dr. Ciro de Quadros!


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