
Franco da Rocha é uma cidade localizada nas vizinhanças da capital paulista.Cresceu em torno de uma linha de trem e de um dos maiores hospitais psiquiátricos do país.A economia do lugar é essencialmente agrícola, movida por sítios produtores de uva,batata e mandioca.Num desses terrenos,uma pequena jóia se destaca do cenário: a Weril, fabricante de instrumentos musicais de sopro. Fica num galpão, no centro de uma área de mais de 40 mil metros quadrados, de onde vez por outra escapa uma melodia. Trombones, saxes, trompetes, flautas, clarinetes e algo mais são embarcados,dali, para todo o Brasil e para mais de sessenta países (veja as tabelas "Notas da Weril" e "Música para o exterior").
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| No alto, a montagem do Saxofone Supremo, que teve lançamento mundial em 2006. Abaixo, o trabalho em tornos artesanais, que dá a forma inicial aos instrumentos |
Trata-se de uma das cinco melhores empresas fabricantes de instrumentos de sopro do planeta e a única na América Latina especializada no setor.
Em novembro, a Weril recebeu o Prêmio Especial do Júri por sua atuação no Centro de Distribuição de Miami,da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (leia o quadro "Pontos de apoio no exterior", abaixo).Desde que ingressou no Centro, em janeiro de 2005, suas vendas nos Estados Unidos saltaram 48%.
E é bom notar que a companhia já contava sessenta anos de experiência em exportação quando buscou o apoio da Apex. Atualmente,exporta 30% de sua produção, sendo metade para o mercado norte-americano." Este foi um ano de muitos negócios. Pretendemos agora nos instalar também no Centro de Distribuição (CD) de Frankfurt, já que a Alemanha, ao lado da Inglaterra, é um importante mercado dos nossos produtos na Europa", diz Andréa Donatti,gerente de marketing da empresa. Curiosidade:depois dos norte-americanos e dos europeus, a Indonésia é o mais importante mercado da Weril no exterior.
Os instrumentos da marca são aplaudidos por músicos brasileiros, como Leo Gandelman e Carlos Malta."Acredito que a Weril faça a diferença para os instrumentos e músicos brasileiros. É muito importante para nós termos instrumentos fabricados aqui com eficiência e assistência.E o custo-benefício não só viabiliza como também honra o esforço de tantos em busca de resultados musicais", diz Gandelman. James Lebens,professor da Universidade Laval,em Quebec,no Canadá, só toca trombones da marca brasileira.O trombone G.Gagliardi Weril, aliás, foi eleito um dos melhores do mundo pela International Trombone Association (ITA), num "teste cego"realizado em 2002,no qual músicos com luvas e vendas nos olhos, atrás de um biombo, tocaram instrumentos de várias marcas para um júri de especialistas. E a Weril foi selecionada pela International Music Products Association (Namm),dos Estados Unidos, para seu Hall of Fame. Ainda assim, a fábrica não conseguiu entrar no fechado clube da música erudita. Pouquíssimas orquestras sinfônicas,mesmo no Brasil,usam instrumentos da Weril.
Tradição e inovação
O slogan da empresa quase centenária,"Toque com emoção", é facilmente compreendido numa visita à fábrica.Passear por suas instalações é uma aventura prazerosa.Os instrumentos,em si, são obras de arte.Além disso,a Weril é uma bela indústria. O misto de inovação e tradição, segundo os dirigentes, é um dos segredos de seu sucesso.Algumas etapas da fábrica fazem lembrar um centro artesanal, quase uma oficina de escultores. Outras abrigam equipamentos de alta tecnologia.

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