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Edição 30
Abril/2006

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A viagem do conhecimento
A educação a distância ganhou ares de solução ef iciente para o grave problema educacional brasileiro. Com o uso de ferramentas tecnológ icas para ensino remoto, governo e entidades públicas e privadas esperam romper o gigantesco déf icit educacional e encontrar o caminho da inclusão na sociedade da informação

Por Anderson Gurgel, de São Paulo

O Senac agora está fazendo parcerias com instituições do exterior para que brasileiros que moram fora do país possam fazer treinamentos em português de forma a não ficarem defasados na volta para casa."Um exemplo adiantando desse processo é o Japão, onde estamos negociando parcerias para nossos compatriotas que são descendentes e estão trabalhando lá", explica Regina Ribeiro.

Formação do professor
Se há consenso entre os especialistas quanto à evolução das ferramentas de EAD, o mesmo não pode ser dito sobre o conteúdo dos cursos que estão sendo oferecidos.Litto,da Abed, avalia que as instituições e os professores precisam entender que a Internet não é uma aglomeração de todas as mídias anteriores." Na sala de aula, quem domina é o professor, mas na rede o docente é somente o arquiteto", comenta.Para ele, em muitos casos os alunos aprendem mais na troca de informações feita nos fóruns de discussão do que na parte de conteúdo de aula mesmo.

Por isso, ele defende que os professores sejam mais bem capacitados para aproveitar essa oportunidade.Atualmente, tanto Unesp como Ufscar desenvolvem programas para treinar os docentes de ensino superior. Contudo, para tentar amenizar o drama da educação brasileira, a capacitação precisa chegar ao ensino fundamental. E, nesse sentido, há uma série de iniciativas em curso. Além do trabalho da UAB, vários outros projetos estão sendo desenvolvidos.

A Fundação Bradesco, por exemplo, lançou o Projeto Educa + Ação, que visa integrar a iniciativa privada e o setor público municipal no esforço de elevar o padrão educacional das crianças brasileiras. Nesta fase inicial serão beneficiados cerca de 1.000 alunos do ensino fundamental de escolas municipais de oito cidades do Vale do Ribeira,no interior de São Paulo.Além da orientação e da metodologia da entidade, os professores terão acesso a um amplo material para aplicação da metodologia em sala de aula e terão treinamento por meio de cursos presenciais e a distância, ministrados pelo corpo docente da Fundação Bradesco.

A Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, que tem cerca de 236 mil educadores e aproximadamente 6 milhões de alunos em mais de 5 mil escolas, também está com um projeto para qualificar 6 mil gestores de escolas públicas para atender à crescente demanda por instrução especializada. A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) é que vai coordenar o curso de Especialização em Gestão Educacional. Com investimento de 10 milhões de reais, o treinamento tem 390 horas de duração, dividido em 180 aulas presenciais, 180 ministradas a distância e trinta dedicadas ao trabalho de conclusão de curso.

O governo paulista também fechou uma parceria com o Grupo Santander e com o Portal Universia para colocar em funcionamento um programa para a formação e a capacitação de 45 mil professores da rede pública de ensino médio. Pelo programa, está sendo montado um acordo de cooperação para impulsionar projetos dirigidos ao ensino da língua espanhola na rede pública do estado de São Paulo.As três universidades públicas estaduais - USP, Unicamp e Unesp - vão selecionar os tutores; e o Instituto Cervantes será o responsável pela elaboração dos conteúdos.

O diretor da Cidade do Conhecimento, Gilson Schwartz, acrescenta que é fundamental que os projetos de EAD tenham clara a diferença entre educação e treinamento. No segundo, a repetição e a massificação são o objetivo. Já no primeiro os desafios são maiores, o que exige maior preparo e preocupação dos gestores e docentes." Professor não é operador, por isso educação e treinamento precisam ser claramente diferenciados em ensino a distância", frisa. Segundo ele, iniciativas como a UAB e tantas outras mostram que instituições governamentais e entidades civis já se deram conta desse desafio.

Massificação
Além disso, as ações recentes do MEC demonstram que realmente o governo aposta em ensino a distância. Contudo, tanto para o governo como para o mercado, Schwartz relembra que o fato de usar a tecnologia não exclui os desafios humanos a serem vencidos para o sucesso do projeto de EAD no Brasil.A tentação da massificação e do ganho de escala das instituições sem a devida adequação dos projetos é a maior ameaça. Corre-se o risco de repetir no virtual a fábrica de diplomas inexpressivos que é alimentada por muitas faculdades por aí, no mundo concreto.

"Inegavelmente essas tecnologias geram escala, do ponto de vista da estrutura, mas se o conteúdo não for local não haverá o comprometimento com a educação para a geração de conhecimento e inovação", completa Schwartz.A solução "Deus ex machina" que o e-learning pode trazer encontra-se justamente na encruzilhada: o papel do professor na EAD e a sensibilidade para a adequação dos conteúdos locais aos softwares globais serão o fiel da balança para que a educação a distância se coloque de fato como um diferencial para a ruptura com a crise endêmica educacional brasileira. Portanto, por mais que a educação esteja globalizada e virtualizada neste início do século XXI, fica o recado: o sucesso (em formação adequada e retorno financeiro) pode vir dos ensinamentos mais simples, das idéias de Paulo Freire,por exemplo.

Destaques da educação a distância no Brasil

Pelo menos 1,278 milhão de brasileiros estudaram por educação a distância no ano de 2005, tanto em cursos oficialmente credenciados como em projetos nacionais públicos e privados.
• O número de instituições que ministram EAD com autorização do MEC cresceu 30,7% entre 2004 e 2005.
• O número de alunos que estudaram nessas instituições cresceu ainda mais no mesmo período: 62,8%.
• No ano de 2005, houve um pico na oferta de novos cursos a distância. Foram oferecidos, pelas instituições da amostra, 321 novos cursos nesse ano, ante 56 novos cursos em 2004 e 29 em 2003.
• A prova escrita presencial é a forma de avaliação mais utilizada pelas instituições de EAD, sendo aplicada por 64,3% delas.
• O e-mail é o apoio tutorial mais comum nas escolas de EAD, sendo usado por 86,75% delas. Em seguida, estão o telefone (82,7%), o professor on-line (78,6%) e o professor presencial (70,4%).

Fonte: Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância 2006, publicado pelo Instituto Monitor com apoio da Abed

Muito antes da Internet Evolução do ensino a distância no Brasil
• 1904 • Já existiam ferramentas de educação a distância na mídia impressa e nos Correios, o ensino por correspondência privado.
• 1923 • Surge o Rádio Educativo Comunitário.
• 1965 a 1970 • Surgem as TVs Educativas,criadas pelo poder público.
• 1980 • Grande oferta de supletivos via telecursos,com uso de televisão e material impresso (organizado por fundações sem fins lucrativos).
• 1985 • Uso do computador “stand alone”ou em rede local nas universidades.
• 1985 a 1998 • Uso de mídias de armazenamento, como videoaulas,disquetes,entre outros, como meios complementares.
• 1989 • Criação da Rede Nacional de Pesquisa (uso de BBS, Bitnet e e-Mail).
• 1990 • Uso intensivo de teleconferências (cursos via satélite) em programas de capacitação a distância.
• 1994 • Início da oferta de cursos superiores a distância por mídia impressa.
• 1995 • Disseminação da Internet nas instituições de ensino superior, via RNP.
• 1996 • Redes de videoconferência - Início da oferta de mestrado a distância, por universidade pública em parceria com empresa privada.
• 1997 • Criação de Ambientes Virtuais de Aprendizagem – Início da oferta de especialização a distância, via Internet, em universidades públicas e particulares.
• 1999 a 2001 • Criação de redes públicas, privadas e confessionais para cooperação em tecnologia e metodologia para o uso das NTIC na EAD.
• 1999 a 2002 • Credenciamento oficial de instituições universitárias para atuar em educação a distância.
• 2005 • Governo cria projeto Universidade Aberta do Brasil.
• 2006 • Internet com banda larga gera mais facilidades à EAD.
• 2007 • Previsão de oferta de cursos de graduação em EAD pelas instituições públicas de ensino.

Fonte: Abread / Abed / empresas

 

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