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Edição 3
Janeiro/2004

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Corrida do ouro do século XXI
por Mônica Teixeira

DivulgaçãoExtremófilos. Já ouviu falar? É o nome dado a microorganismos capazes de viver em condições ambientais extremas. O estudo dos genes desses organismos interessa à industria da biotecnologia pois eles podem ser usados para transmitir características peculiares a produtos. A Antártida e os oceanos do Pólo Sul são reservatórios de extremófilos - por causa do frio, da aridez, da alta salinidade. Um relatório preparado pela Universidade das Nações Unidas em Tóquio revela que já há 92 pedidos no Escritório de Patentes dos EUA e 62 no Escritório Europeu de Patentes envolvendo organismos antárticos. Um exemplo: a proteína que impede o congelamento do sangue de uma espécie de peixes, segundo uma patente requerida pela Unilever, pode ser usada para aumentar a resistência de alimentos à baixa temperatura. A comunidade cientifica internacional, no entanto, teme a bioprospecção no continente: pelas regras do tratado da Antártida, o que advém da pesquisa deve ser de conhecimento público e não poderia ser patenteado. Outra preocupação: as espécies antárticas, justamente por causa do ambiente, desenvolvem-se devagar, e não são numerosas. Teme-se que não resistirão a uma corrida pelo seu ouro genético.


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