A retomada do investimento
A economia cresce, o dinheiro passa a ser aplicado no aumento da capacidade produtiva, mas ainda não existem garantias de sustentabilidade do processo.
Por Edmundo M. Oliveira*, de Brasília
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| Laminador de tiras a quente da Companhia Siderúrgica de Tubarão |
O investimento aos poucos está reagindo. Não é um boom, não é ainda um movimento espalhado nem generalizado, mas é um sinal de que algo positivo está acontecendo: uma virada na curva, dessa vez para cima. Em números correntes, a taxa de investimento desse ano deverá ficar em torno de 19,3% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo a última previsão do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). É um resultado superior aos 18% do PIB registrados em 2003, ponto mais baixo em 14 anos (veja o gráfico).
"A novidade é que, genuinamente, o investimento começa a se direcionar para a ampliação de capacidade produtiva", diz Paulo Mansur Levy, diretor de Estudos Macroeconômicos do Ipea. Tal tendência contrasta com a situação vivida na década de 1990, quando o investimento concentrou-se principalmente em modernização e atualização tecnológica. Ampliação de capacidade leva a maior produção, maior faturamento, mais postos de trabalho, mais renda e maior consumo das famílias. Ou seja, ao tão desejado crescimento econômico que, nesse ano, deverá implicar uma expansão do PIB de 4,6%, de acordo com a última previsão do Ipea, do início de setembro.
Os dados animam, mas convém observar também que a taxa de investimento em 2004 deverá ser apenas 1,3 ponto percentual superior à de 2003, quando se atingiu o vale profundo dessa estatística. "Não chegamos nesse vale em um ano", afirma o economista do Ipea Fabio Giambiagi. "Ele foi o resultado dos últimos 25 anos de baixo crescimento e não vai ser em um, três ou em cinco anos que voltaremos a níveis de investimento de até 25% do PIB." Por hipótese, ele calcula, se o país tiver um crescimento médio de 4% nos próximos anos, com uma expansão do investimento de 7% ao ano, haverá um ganho adicional de 0,6 ponto porcentual ao ano, chegando a uma taxa de 23% do PIB no fim dessa década. A boa notícia é que o movimento atual, ele diz, "sugere o início de um processo de recuperação que se espera longo e duradouro".
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