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Edição 29
Março/2006

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Difícil arrancada
Ipea propõe polêmica agenda de mudanças que permitiriam aumentar os investimentos e acelerar o crescimento econômico para atingir expansão sustentada do PIB da ordem de 5% anuais

Por Ottoni Fernandes Jr... de São Paulo

Ilustração OrlandoNão basta vontade política para que a economia brasileira turbine a taxa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conclama seus ministros a apresentar um conjunto de mudanças que permitam um crescimento anual de, pelos menos, 5% ao ano, já em 2007,para reverter os resultados bisonhos dos últimos anos: a taxa anual média de expansão do PIB deverá ficar em 2,7% nos quatro anos do primeiro mandato do atual governo caso o crescimento seja de 3% em 2006.É um resultado um pouco melhor do que os 2,1% de crescimento médio do PIB no segundo período de governo de Fernando Henrique Cardoso (de 1999 a 2002),mas está longe dos sonhados 5% anuais.Não será fácil,no entanto,preparar o elixir do crescimento para garantir a meta já em 2007.

Um trabalho elaborado pela Diretoria de Estudos Macroeconômicos (Dimac) do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em novembro prevê que o crescimento em 2007 deverá ficar em 3,5%,compatível com uma taxa de investimento (dinheiro aplicado para aumentar a capacidade produtiva) da ordem de 20% do PIB.

O aperfeiçoamento do ajuste das contas públicas, com cortes dos gastos correntes, permitirá expandir o PIB no ritmo de 4% anuais entre 2007 e 2011.E,se o restante da lição de casa for feita, será possível crescer no ritmo de 5% anuais,de maneira sustentada, a partir de 2018. O estudo do Ipea

"Uma agenda para o crescimento econômico e a redução da pobreza"mostra que a China foi capaz de crescer 8,9% por ano entre 1996 e 2005 graças a uma taxa de investimento (poupança) de 35,3% do PIB no período de 1995 a 2005 (veja tabela Investimento é o camiho para crescer) e que o Brasil precisará investir cerca de 26% do PIB para chegar a uma expansão de 5% anuais.

A bula do elixir exige que o governo diminua suas despesas correntes para conseguir ampliar a capacidade de investir,especialmente em infra-estrutura, pois não é mais possível aumentar a carga de impostos cobrados,que chega a 38% do PIB nos três níveis de governo republicano.O desempenho das contas públicas melhorou substancialmente nos últimos anos, em parte devido ao aumento dos impostos.

Mas a contrapartida foi tirar o oxigênio para que os empresários do setor privado ampliassem seus investimentos.A conseqüência é que a economia funcionou em marcha lenta.A recuperação do crescimento está assentada em quatro pilares principais, segundo o estudo do Ipea: reduzir o valor da dívida pública em relação ao PIB; reduzir a taxa de juro (Selic) que incide sobre a dívida pública; retomar o investimento público em infra-estrutura; e diminuir a carga tributária.No cenário desenhado pelo Ipea, a taxa de investimento (poupança) do setor público brasileiro chegaria a 5,2% do PIB em 2018 (veja tabela Investimento público tem de aumentar).

O gasto com aposentadorias e pensões passou de 2,5% do PIB, quando foi promulgada a Constituição de 1988, para 6,5% no f inal de 2002 e aproxima-se de 8% do PIB

Ilustração Orlando

valor da dívida pública em relação ao PIB; reduzir a taxa de juro (Selic) que incide sobre a dívida pública; retomar o investimento público em infra-estrutura; e diminuir a carga tributária.No cenário desenhado pelo Ipea, a taxa de investimento (poupança) do setor público brasileiro chegaria a 5,2% do PIB em 2018 (veja tabela na pág. 18).

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