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Nanak Kakwani Em defesa dos pobres
Os governos precisam saber como a pobreza muda no decorrer do tempo para que possam orientar suas políticas
Por lia Vascocncelos, de Brasília
O economista indiano Nanak Kakwani desenvolveu uma nova metodologia para medir a pobreza, usando como parâmetro não apenas a renda, mas também outras necessidades de consumo. Após três anos no Brasil, durante os quais criou o Centro Internacional de Pobreza, ele está voltando para a Austrália e conta, nesta entrevista, como foi sua experiência e como vê o crescimento do país Desafios - Como foi a experiência do senhor à frente do Centro Internacional de Pobreza? Desafios - E esse é um Centro Internacional que estuda pobreza no mundo inteiro, certo? Desafios - O Pnud tem outros centros como esse espalhados pelo mundo? Desafios - Que tipo de trabalho é desenvolvido no Centro? O que fazem? Quanto sofrem? Essas informações são muito úteis para entender a extensão e a natureza da pobreza. Eu coloquei muita ênfase nessa área porque não há muitos dados e indicadores nesse segmento. E tínhamos de ser internacionais.Então,a primeira coisa que fiz foi contratar um gerente de dados para coordenar a informação vinda de todas as partes do mundo.Hoje,nós temos aqui uma base de dados muito boa e podemos fazer muitas análises internamente sem precisar ir até os países estudados para realizar pesquisas in loco. Isso aumentou muito nosso potencial de produção, já que basta ter a metodologia e aplicar de forma direta sobre os dados disponíveis.Nós começamos aqui muitas pesquisas importantes, sobretudo aquelas ligadas ao que é conhecido como crescimento pró-pobre.
Kakwani - Foi uma experiência muito interessante. Eu fui indicado para vir ao Brasil para começar a montar esse Centro do zero. Quando cheguei, em janeiro de 2004, não havia nada. Era a primeira vez que vinha a Brasília e a primeira coisa que fiz foi ir ao escritório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Eles me orientaram a procurar o então presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Glauco Arbix. Fui ao Ipea e o Glauco foi muito hospitaleiro. Gostei muito de conhecê-lo. Ele me ofereceu um escritório ao lado do dele e comecei a trabalhar. Lentamente construímos os escritórios do Centro. Tenho muito orgulho deles e do que estou deixando. O Centro está em ótima forma.O importante é que era um Centro completamente novo e a primeira coisa que fiz foi desenvolver um plano de trabalho, quais seriam os objetivos, o que iríamos fazer.
Kakwani - Sim. Ele não tinha nem nome quando cheguei, foi por isso que o batizei de Centro Internacional.
Kakwani - O Pnud mantém três centros temáticos. Um em Nairóbi, no Quênia, que trabalha com questões do meio ambiente, como desertificação. O segundo fica em Oslo, na Noruega, que trata de temas ligados à governança. E o do Brasil é o terceiro, cujo tema é a pobreza. Na minha opinião, esse Centro terá um importante papel a desempenhar porque lida com muitos aspectos da pobreza, não apenas com os tradicionais.
Kakwani - Nós identificamos algumas áreas fundamentais. Uma delas é a mensuração e o monitoramento da pobreza. Geralmente, os governos querem saber como a pobreza muda no decorrer do tempo porque eles querem monitorar isso para reorientar as políticas se necessário.Portanto, é importante acompanhar essa transformação e também descobrir como a pobreza está distribuída na população. Quem são os pobres? Onde eles estão?

