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Edição 29
Março/2006

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Operação limpeza
Movimento de conscientização popular consegue reverter processo de degradação ambiental em Macaé, uma das cidades mais atingidas pela extração de petróleo. Em quase dez anos, o Programa Eco-Cidadão fez desaparecer 8 toneladas de lixo que eram despejadas diariamente nas ruas e nas praias. O próximo passo é o saneamento do principal rio da cidade

P o r G u s t a v o d e P a u l a , d e M a c a é , R J

Até o início da década de 1970, Macaé era apenas uma aprazível cidade do litoral norte do estado do Rio de Janeiro, com uma economia movida basicamente pela agropecuária e pela pesca. Seus cerca de 70 mil habitantes viviam tranqüilamente,desfrutando a paisagem e o clima tropical. Mas tudo mudou quando a Petrobras descobriu que, sob o solo marítimo daquela região, estava escondida uma gigantesca reserva petrolífera. Em pouco tempo a cidade foi invadida pelos profissionais e equipamentos necessários para a retirada do precioso líquido das profundezas da Terra. Só para ter uma idéia, atualmente existem 46 mil trabalhadores nas plataformas de petróleo da região.

Junto com eles vieram os prestadores de serviços, os imigrantes em busca de emprego e todo um movimento para o qual a cidade não estava preparada. A primeira vítima desse processo foi justamente o meio ambiente. Aumento da demanda por água, saneamento básico, recolhimento de lixo, depósito de resíduos etc. O rio Macaé,que cruza a cidade, transformou-se no principal receptor de entulho e, em pouco tempo, a vida desapareceu de suas águas.

Mais de vinte anos depois dessa transformação, apesar dos esforços da prefeitura, o quadro não era nada animador. Foi quando, em 1997,a mineira Marielza Cunha Horta apresentou ao então prefeito de Macaé, Sylvio Lopes Teixeira, um projeto de educação ambiental inspirado no trabalho da Secretaria de Limpeza Urbana de Belo Horizonte. Sylvio Lopes achou a proposta interessante e convidou Marielza Horta,que morava desde 1985 no município vizinho,Campos, para desenvolver a iniciativa no âmbito de seu gabinete. O projeto deu certo e foi transformado no programa Eco-Cidadão. Com a ampliação das ações,houve a necessidade de criar uma estrutura própria e autônoma para o projeto. Em dezembro de 1998, nasceu o Centro de Estudos Ambientais e de Cultura Contemporânea. "Levar o programa adiante foi um desafio muito grande. No disinício, havia a resistência de pessoas da própria administração municipal. Hoje, aqueles que criticavam são nossos parceiros", diz a coordenadora executiva e idealizadora do Eco-Cidadão.

Os resultados obtidos pelo programa mostraram que a preservação da natureza e o respeito ao espaço público dependem muito da mobilização social e da participação popular. Por meio da realização de ações contínuas com os moradores, a iniciativa conseguiu reduzir em mais de 6 toneladas o descarte diário de lixo nas vias centrais da cidade. A poluição das praias também diminuiu consideravelmente,com 2 toneladas a menos de lixo por dia. Outro dado relevante é que a utilização correta das lixeiras públicas aumentou em 70%. E a receita dos catadores que trabalham com material reciclável cresceu 40%. Mais do que os números,impressiona a capacidade do Eco-Cidadão de superar, com uma equipe muito reduzida e pouquíssimos recursos financeiros, os desafios de uma cidade que recebe 320 milhões de reais por ano em royalties do petróleo,mas que apresenta graves problemas sociais e ambientais e ocupa apenas a 805ª posição no ranking brasileiro do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Desafios que são ainda maiores se considerarmos que 80% da população da cidade veio de fora.

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