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Edição 29
Março/2006

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Pesquisa Lia Vasconcelos
Texto Andréa Wolffenbüttel


Internet

Longe da universalização

Os primeiros resultados da 2ª Pesquisa sobre Uso da Tecnologia da Informação e da Comunicação no Brasil, a TIC Domicílios 2006, comprovaram que o país ainda está longe de universalizar o acesso à tecnologia. Os dados, divulgados pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), mostram que mais da metade dos brasileiros (54,4%) nunca usou um computador e apenas um terço da população já navegou na Internet. Entre aqueles que tiveram acesso à rede mundial nos últimos três meses, 40% o fizeram da própria casa, 30% em centros públicos pagos (as LAN houses) e 24,4% conectaram-se no local de trabalho. Os que ainda estão à margem do mundo da informática explicam que não conseguem romper a barreira por causa do alto custo dos computadores e da conexão. Mais informações no endereço www.nic.br/indicadores.

Astronomia

Olhando do alto

No dia 19 do mês passado, um imenso balão de 500 mil metros cúbicos de volume subiu aos céus a partir da base do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em Cachoeira Paulista (SP). Ele carregava um telescópio de 8 metros de comprimento e 800 quilos de peso.O balão subiu a 38 quilômetros de altura, de onde o telescópio pôde produzir imagens de alta resolução de objetos astronômicos e transmiti-las para a Terra. Os principais objetivos científicos desse experimento são a detecção de mecanismos de aceleração de partículas no universo, medidas diretas da emissão de buracos negros, e a compreensão do ciclo de reprocessamento de elementos químicos no universo. Depois de 12,5 horas de vôo, o telescópio se desprendeu do balão e caiu sobre o mar, com o auxílio de pára-quedas, no litoral do Rio de Janeiro.Toda essa operação tem o nome de experimento Sumit (sigla em inglês para SuperMirror Imaging Telescope experiment) e foi realizada pelo Inpe em parceria com a Universidade de Nagoya e o Institute of Space and Astronautical Science (Isas), do Japão.

Sementes

Cultura resgatada

A cultura é algo tão abrangente e, ao mesmo tempo, abstrato que pode ser encontrada nos lugares mais surpreendentes, como dentro dos frigoríficos das unidades de Brasília da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Foi exatamente aí que um grupo de cinco membros da comunidade indígena guarani M'bya, da ilha de Cotinga, município de Paranaguá, no Paraná, foi em busca de suas antigas tradições. Nas câmaras frias da Embrapa, estão sementes originais de abóbora,moranga, batata-doce, mandioca, inhame, pimentas, hortaliças e sorgo sacarino, capazes de produzir os vegetais como eles eram antigamente, antes que o manuseio, o uso de agrotóxicos, os enxertos e as modificações genéticas alterassem as sementes. Não é a primeira vez que a Embrapa desenvolve esse tipo de trabalho. Nos anos 1990, ela devolveu aos Craôs, do Tocantins, o seu milho tradicional, que havia se perdido. Para os índios, as sementes são sagradas, porque foram um presente de Tupã para que os homens tivessem alimento na Terra. A missão dos indígenas é guardar as sementes, gerar novos frutos e impedir que elas se percam.

Monitoramento

Quem está fazendo o quê

Uma das grandes dificuldades na hora de criar políticas públicas de incentivo à pesquisa é saber exatamente o estágio atual do desenvolvimento no país e fora dele: quem está fazendo o que e onde. Para responder a essas perguntas, o Departamento de Política Científica e Tecnológica da Universidade Estadual de Campinas (DPCT-Unicamp), em parceria com a Elabora, empresa do núcleo Softex, está trabalhando na criação de um sistema de monitoramento em ciência e tecnologia. O projeto atende a um pedido da Coordenação Geral de Biotecnologia e Saúde, do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), e por isso a área escolhida como alvo do acompanhamento é justamente a biotecnologia. Para isso, além de discussões de cunho conceitual e metodológico, foi desenvolvido um software para acesso, obtenção e tratamento de informações que permitiu a coleta de mais de 32 mil patentes e de quase 9 mil artigos, entre 1973 e 2003. Os primeiros resultados mostram uma grande planilha com vários tipos de busca. Análises de dados coletados revelaram, por exemplo, o destaque da Austrália em patentes na área de biotecnologia, entre os anos 1970 e 1980, e o gasto bem maior com pesquisa e desenvolvimento desse país, quando comparado ao Brasil. Na segunda fase do projeto, ainda em andamento, serão refinados os instrumentos de monitoramento, incluindo atualizações, expansões das redes de dados, capacitação de profissionais,ampliações da rede de busca, aperfeiçoamentos dos procedimentos computacionais e aplicações da metodologia no campo da genômica.

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