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Diversificado como a cultura
Eliana Giannella Simonetti
O leitor conhece a Feira do Troca, que ocorre semestralmente na pequenina cidade de Olhos d'Água, localizada no coração goiano? Sabe que existe, em Salvador, na Bahia, desde 1998, o Mercado Cultural, uma feira de produção autoral independente que reúne mais de 1, 5 mil artistas e milhares de visitantes? E o Festival de Jazz e Blues de Guaramiranga, 109 quilômetros distante de Fortaleza, no Ceará? Pois em 2005 turistas que foram vêlo deixaram 3 milhões de reais na cidade. Economia da cultura e desenvolvimento sustentável - O Caleidoscópio da cultura, de Ana Carla Fonseca Reis, lançado em outubro pela Editora Manole, com o apoio do Instituto Pensarte, conta casos assim, curiosos, desconhecidos da maioria dos brasileiros. Compõe um texto saboroso que, em alguns pontos, assume o seguinte tom: “Quem já teve o privilégio de visitar cidades de nomes tão singelos como Pedralva (Minas Gerais), Alta Floresta (Mato Grosso) e Salgado de São Félix (Paraíba), irá de algum modo reviver essa experiência. Quem nunca passou por lá terá o deleite de conhecê- las. Essas comunidades e mais de uma centena de outras estão representadas na Casa da Vila, uma loja de artesanato brasileiro instalada em uma das poucas construções originais da década de 1920 ainda existentes no bairro paulistano da Vila Mariana. Nesse sobrado de cômodos espaçosos, o pinho-de-riga é pano de fundo de tapetes e móveis feitos à mão; e o papel de parede inglês emoldura uma constelação de O produtos elaborados com matérias-primas de ecossistemas regionais. A visita à São Paulo da época, cujos hábitos e organização familiar são refletidos na distribuição dos ambientes, é complementada por uma viagem às tradições e técnicas de produção cultural do Brasil. . . ”A reprodução se interrompe aqui para não roubar ao leitor o gostinho da obra completa.
Bem, mas se o primeiro parágrafo deste texto deixou a impressão de que se trata, aqui, de um livro informal, por assim dizer, atenção: essa é só uma de suas faces. A autora é administradora pública e economista; trabalhou quinze anos com marketing e comunicações, em empresas multinacionais, na América Latina, em Londres e Milão; e atualmente, entre outras atividades, é consultora especial em Economia Criativa da Organização das Nações Unidas (ONU) e curadora da conferência Creative Clusters, do Reino Unido. Foi uma das autoras de Teorias de Gestão - de Taylor a nossos dias (1997) e escreveu Marketing Cultural e Financiamento da Cultura (2002). Sua obra é a primeira publicação brasileira a tecer um estudo abrangente sobre uma área pouco explorada e na qual o Brasil tem potencial de sobra: a economia ou indústria cultural. Traz definições teóricas, estatísticas, análises bibliográficas, citações - tudo o que compõe um trabalho de formato acadêmico. Contempla, também, aspectos práticos, como estratégias empresariais e políticas públicas. Pode, ainda, ser lida como um manual para o melhor aproveitamento de oportunidades de negócios no âmbito da indústria cultural.
É de notar que há muitas questões a resolver, na análise do estado atual da economia cultural, de medidas necessárias a seu desenvolvimento, e da avaliação de seus resultados - no Brasil, especialmente, mas também em outros países. A proposta de Ana Carla Fonseca Reis não é resolver problemas. É antes apresentá-los. Tanto que o livro não encerra com um capítulo de conclusões, mas com “Considerações intermediárias”.

Economia da cultura e desenvolvimento
sustentável - O Caleidoscópio da cultura
Ana Carla Fonseca Reis
Editora Manole, 2006, 385p. , R$ 60, 00

