Publicidade
Edição 25
Novembro/2006

Publicidade
Caixa
Embraer
Imprimir

A natureza agradece
Em vez de poluir a atmosfera e agravar o efeito estufa, o gás emitido pelo Aterro Sanitário Bandeirantes, na capital paulista, serve de combustível para alimentar uma usina termoelétrica. O Protocolo de Kyoto possibilita receita adicional com a venda de créditos de carbono

Por Ottoni Fernandes Jr... de São Paulo

Fotos Samuel Iavelberg

Foi como achar dinheiro no lixo.Foi isso mesmo o que aconteceu com a Biogás Energia Ambiental.A empresa capta o gás bioquímico (GBQ) produzido no maior aterro sanitário de São Paulo, o Bandeirantes, localizado em Perus,na região metropolitana da capital paulista.O material é vendido para a Unidade Térmica de Energia (UTE) Bandeirantes,o que rende cerca de 700 mil reais por mês.Ali,serve de combustível - o gás move 24 grupos motogeradores capazes de produzir 20 megawatts de energia elétrica,quantidade suficiente para abastecer uma cidade de 300 mil habitantes.Na rede da Eletropaulo,a energia ilumina, entre outros locais,os prédios administrativos do Unibanco,que financiou a construção da usina. É,como se vê,um jogo de ganhaganha, em que todas as partes faturam e a natureza agradece, pois o GBQ gerado no aterro deixou de ser liberado na atmosfera, e o que antes contribuía para o aquecimento global passou a ser combustível.Além disso,uma vez captado e aproveitado,o GBQ proporciona um faturamento adicional graças à venda de créditos de carbono, certificados que comprovam a redução da emissão de gases causadores do efeito estufa (leia quadro Poluição vira mercado).Em abril,a Biogás Ambiental vendeu, ao banco alemão KFW, 1 milhão de toneladas de créditos de carbono pelos gases de efeito estufa (GEE) que deixou de emitir em 2004 e 2005. O banco tratará de repassar os créditos a empresas de países desenvolvidos comprometidas com o Protocolo de Kyoto,que compram os “títulos”para compensar as emissões que não conseguem cortar.

O aterro Bandeirantes pode receber reduções certificadas de emissões correspondentes a 16,1 milhões de toneladas de carbono, até que seu gás bioquímico se esgote

Fotos Samuel Iavelberg
Vista aérea do aterro sanitário Bandeirantes, cuja capacidade se esgotará no ano que vem, porém continuará fornecendo gás para geração de energia

A prefeitura municipal de São Paulo, que em 2001 deu à Biogás a concessão para explorar o gás do aterro por quinze anos, é mais uma a ficar bem.Metade da renda proveniente da venda dos créditos de carbono será dela e contribuirá para reduzir a conta que paga à empresa Loga,cessionária da operação do aterro, que, por sua vez, subcontratou a Heleno&Fonseca Construtécnica para o serviço. O valor ainda depende da aprovação técnica do Secretariado do Painel da Convenção das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (UNFCCC, da sigla em inglês),aguardada para setembro. Com o sinal verde, o preço de venda será a média dos trinta dias posteriores à autorização - atualmente, a tonelada de carbono é negociada na Europa na faixa de 15 euros,mas atingiu 24 euros em abril.

O banco KFW cobrará comissão de 15% sobre a venda e o restante será dividido entre a Biogás e a prefeitura.O negócio tem futuro.Mesmo depois do início de 2007, quando deixar de receber lixo,o aterro continuará a gerar gás por quinze anos, até o limite de sua capacidade de 35 milhões de toneladas de resíduos.Assim,novos créditos de carbono poderão ser vendidos.A previsão é que, até se esgotar, o aterro renda reduções certificadas de emissões correspondentes a 16,1 milhões de toneladas de carbono.

Todo esse mecanismo pôde ser desencadeado porque o aterro Bandeirantes tem características peculiares.É planejado.Trata- se de uma obra de engenharia em que os resíduos são depositados,em camadas,sobre a terra impermeabilizada por mantas plásticas.Há drenos verticais e um sistema que leva o chorume (líquido produzido pela decomposição anaeróbia da matéria orgânica) para lagoas de contenção localizadas num nível inferior e dali a estações de tratamento de esgoto.Cada camada é coberta com terra e impermeabilizada.Quando o aterro parar de receber lixo, será uma montanha tratada de até 150 metros de altura, coberta por árvores e arbustos.

PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | Próxima >>


Copyright © 2007 - DESAFIOS DO DESENVOLVIMENTO
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação sem autorização.
Revista Desafios do Desenvolvimento - SBS Quadra 01, Edifício Bndes, sala 801 - Brasília - DF - Fone: (61) 3315-5188