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Edição 24
Outubro/2005

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livros e publicações
A economia em centímetros quadrados...

Alguns erros precisam ser corrigidos numa futura edição.O Gatt não foi substituído pela OMC,em 1995,mas incorporado à rede de acordos administrados por ela; tampouco tem por princípio básico o livrecomércio, apenas visa à mais ampla liberalização comercial possível.O economista André Gunder Frank, identificado com o "desenvolvimento do subdesenvolvimento", aparece duas vezes,nas letras F e G,sendo que o texto de Gunder é mais "desenvolvido" do que o de Frank.Os GAB são mais comumente referidos comoGeneral Arrangements to Borrow,e não como Agreements, uma vez que não derivam de tratados formais, e sim de esquemas especiais.Dizer que Hobbes era um "mercantilista"e acrescentar que considerava a liberdade de comércio uma "lei natural"parece uma contradição nos termos.

"Interessantes e úteis são os
verbetes dedicados às
idiossincrasias econômicas
brasileiras como o jogo do bicho"

Keynes não foi o primeiro "presidente" do FMI,mas o representante britânico (governor) na primeira assembléia-geral das duas organizações de Bretton Woods (em Savannah, na Georgia, em 1946), ocasião na qual indicou o belga Camille Gutt como o primeiro "diretor-gerente"do FMI. Bilateralismo e multilateralismo estão definidos de forma restrita, vinculados apenas ao comércio.Da mesma forma, reciprocidade em comércio não quer dizer fair trade,mas concessões equivalentes, não necessariamente simétricas. Em regimes cambiais, o abandono do acordo de Bretton Woods pelos Estados Unidos se deu,de fato, em 1971, mas o fim da jurisdição do FMI sobre esses regimes só foi alcançado em 1973.

Dicionário de Economia do Século XXI
Paulo Sandroni Record, 2005, 905 p...
R$ 69,90

No terreno do humor econômico, Sandroni incorpora a seu repositório a conhecida lei de Murphy,mas esquece da lei de Parkinson, altamente relevante para a "produtividade" na administração pública: o total de empregados numa burocracia cresce de 5% a 7% ao ano, independentemente de qualquer variação no volume de trabalho a ser feito. Parafraseando, digamos que o tamanho de um dicionário como esse aumenta de 20% a 30% a cada edição, a despeito da importância relativa dos verbetes. Pela "lei de Gresham" dos dicionários, volumes enxutos e de menor qualidade começarão a fazer concorrência implacável ao "Sandroni".

Ele deve sustentar a competição,mas caberia pensar, numa próxima edição, em adaptá-lo aos tempos modernos:não é possível que um glossário que se pretenda do século XXI dedique mais de uma página à "revolução socialista" e escassas 14 linhas (de meia coluna) à "pobreza" e à "riqueza", que constituem o âmago da ciência econômica. Mesmo numa concepção tradicional, alguns desequilíbrios devem ser corrigidos: hoje,Raúl Prebisch vence Adam Smith por meia coluna; o socialismo deixa longe o capitalismo e a definição deste último é basicamente marxista; Stalin receber a mesma "centimetragem"de Keynes é uma desproporção inaceitável numa obra de economia. Estou de acordo que a "teoria da dependência" não mereça mesmo mais de 13 linhas, mas que "trabalho alienado"supere em quatro vezes "vantagens comparativas" revela uma inclinação hoje démodée.

Esses pequenos erros não empanam o valor de uma obra grandiosa.Mas proponho uma revisão "bibliométrica"nos 6 mil verbetes do dicionário, tendo como critério o velho preceito marxista (aliás, emprestado do economista William Goodwin): a cada um segundo as suas necessidades...

Paulo Roberto de Almeida

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