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Edição 23
Setembro/2005

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ciência & inovação
Pesquisa Nair Rabelo
Texto Andréa Wolffenbüttel


Genética
Na batida do coração

A prevenção de mortes causadas por problemas cardíacos parece ter dado mais um passo à frente. Pesquisadores do Hospital John Hopkins (EUA), do Framingham Heart Study (EUA) e da Rede Nacional de Estudos do Genoma (Alemanha) identificaram um gene ligado à predisposição para o ritmo cardíaco anormal. Essa disfunção é uma das causas do que se convencionou chamar "morte súbita", responsável por cerca de 300 mil óbitos a cada ano só nos Estados Unidos. O gene NOS1AP foi encontrado quando os pesquisadores analisavam todos os 3 bilhões de letras do genoma, uma prática incomum, já que geralmente os estudos são focados em um único gene. Os estudiosos acham que o método diferenciado de análise foi o que possibilitou a localização desse gene, que nunca havia sido relacionado com a atividade cardíaca. O gene encontrado poderia alterar o intervalo de tempo consumido numa contração ventricular, normalmente de 0, 3 segundo. Pessoas com predisposição a morte súbita apresentam um intervalo muito curto ou muito longo. Os médicos acreditam que essa disfunção esteja presente em um terço dos pacientes cardíacos. Os autores da pesquisa estão otimistas com a descoberta, que poderá facilitar um diagnóstico precoce e possivelmente salvará a vida de muitos.

DivulgaçãoQuímica
O sorriso da Monalisa

Todos sabem que o tempo é o maior inimigo das obras de arte. O contato com o ar e seus micróbios consome o brilho das cores e a nitidez dos traços. Agora, um professor da Universidade de São Paulo (USP) acaba de inventar um equipamento capaz de medir exatamente os estragos que determinado ambiente pode causar a óleos e aquarelas. O químico Andrea Cavicchioli, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), construiu um sensor baseado numa microbalança de quartzo. Ele consegue registrar as menores alterações ocorridas em matérias como tintas, vernizes e colas. O processo é simples. Para avaliar se o local é apropriado para receber um quadro, basta colocar lâminas ultrafinas dos elementos que compõem a peça sobre a balança e deixá-la no recinto por algum tempo. Ela indicará se ocorreu oxidação e quanto. Segundo o professor, a tendência atual é descobrir se existem fatores de risco antes que os danos aconteçam. Até agora, o dispositivo só avalia quatro substâncias diferentes simultaneamente, mas deve ser aprimorado para trabalhar com um número maior. Se todos tiverem o cuidado de usar a balancinha do professor Cavicchioli antes de expor as obras de arte, paisagens e retratos, manterão a beleza por muito mais tempo.

Robótica
Eva do terceiro milênio

DivulgaçãoA estimativa de que a indústria de robôs será o motor da economia das próximas décadas tem levado o governo coreano a investir nesse segmento. A última novidade é EveR 1, uma robô com feições muito próximas das humanas. Apresentada em maio, ela foi construída pelo Instituto de Tecnologia Industrial Kitech. A andróide reproduz uma jovem coreana de 20 anos, com 1, 60 metro de altura e 50 quilos, e consegue estabelecer uma breve conversa com um vocabulário de 400 palavras. A palavra EveR vem da junção dos nomes "Eva"e "robô". Sua semelhança com humanos é impressionante porque ela é capaz de demonstrar expressões faciais de acordo com o que fala, além de olhar diretamente para seu interlocutor, ação permitida pelos 15 sensores localizados em sua cabeça que detectam a direção de onde vem o som da voz. Os pesquisadores prometem para o fim do ano o lançamento de uma versão melhorada da andróide, a EveR 2, que poderia ficar em pé ou andar, já que a primeira versão tem movimentos apenas da cintura para cima. Mesmo com essa deficiência, a professora EveR 1 causou profunda impressão nos alunos de uma escola de Seul, onde ficou exposta.

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