| Saiba mais sobre a mamona
Arbusto com diversas colorações de caule, folhas e cachos,
a mamona, que provavelmente surgiu na Etiópia, na África,
pertence a uma família de vegetais que engloba um grande número
de plantas tropicais - entre elas a mandioca, a seringueira
e o pinhão. O extrato da semente é o conhecido óleo de rícino,
do qual quem foi criança antes dos anos 1960 deve bem se lembrar.
Era o vermífugo mais usado naqueles tempos. De sabor insuportável.
De qualquer maneira, considerando que hoje suas utilidades
são menos sofridas, é bom registrar que 1 hectare de mamoneiras
pode gerar até 750 quilos de óleo.
Mais. Os restos da mamoneira devolvem ao solo 20 toneladas
de biomassa. As folhas servem de alimento para o bicho-da-seda.
O caule pode ser usado como celulose para a produção de papel. A
mamona está presente em muitos produtos sem que se perceba.
Compõe fios e tubos de carros, aviões, linhas telefônicas;
ceras, lubrificantes, plásticos e tintas; tecidos, detergentes,
materiais elétricos e filtros industriais, entre outros. A
torta de mamona, cujo preço está em alta, é excelente adubo
orgânico, com alta dose de nitrogênio e propriedades nematóides.
O Brasil já foi o maior produtor mundial de mamona (573 mil
toneladas em 1974) e o maior exportador de seu óleo. Atualmente, é
o terceiro no ranking (perde para Índia e China), mas tem potencial
para aumentar rapidamente sua participação no mercado, já
que dispõe de tecnologia e área para plantio. Uma boa notícia
do ponto de vista econômico e também ambiental. Pelas contas
da Embrapa, 1 hectare de lavoura de mamona absorve, anualmente,
cerca de 8 toneladas de gás carbônico, devolvendo à atmosfera
quase 6 toneladas de oxigênio puro - uma arma e tanto contra
o efeito estufa.
Seu cultivo vem crescendo em terras brasileiras desde que
o governo decidiu estimular a produção de biodiesel. A planta
se dá bem na região Nordeste, área em que pequenas famílias
de agricultores encontram dificuldades em produzir bens comercializáveis
que lhes garantam sustento. A Embrapa, a Petrobras e o governo
do estado de Sergipe promoverão, em agosto, o 2. º Congresso
Brasileiro de Mamona. A primeira edição desse evento, em 2004,
atraiu mais de 600 participantes e contou com a apresentação
de 140 trabalhos técnico-científicos. Dessa vez o tema central
será "O cenário atual do desenvolvimento da ricinocultura
e perspectivas de novos produtos". A expectativa é que os
debates não se restrinjam ao biodiesel. |