Pesquisadores
descobriram um modo de triturar pneus usados, misturar a massa com
polímero de mamona e produzir pneus novinhos em folha |
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| De cima para baixo: próteses para implante de fêmur
e de vértebras da coluna, e o coração artificial, todos produzidos
com polímeros provenientes do óleo de mamona |
Para compreender esse Rolls-Royce: 90% do óleo de mamona é composto de
moléculas especiais, raras na natureza, com um nome complicadinho - triglicerídeo
de ácido ricinoléico. Elas têm a característica de, depois de quebradas,
poderem ser remontadas nos mais diversos formatos, gerando materiais com
qualidades absolutamente diferentes. São extremamente versáteis. O óleo
chega aos laboratórios da USP de São Carlos em galões. É despejado num
reator - centrífuga que, ao girar, quebra suas moléculas. Então os pesquisadores
adicionam outras substâncias, como água ou álcool, ao material, para provocar
reações. Se o resultado é o que se espera, muito bem. Caso contrário, o
óleo misturado passa para outro recipiente, que separa o que foi adicionado,
para que o experimento possa ser feito novamente, com as mesmas moléculas
de mamona e outro aditivo qualquer.
Tudo isso acontece num ambiente que lembra muito pouco a imagem que se
tem de um laboratório. As centrífugas parecem mais com baldes transparentes
do que com equipamentos de alta tecnologia. Os balcões poderiam estar em
oficinas mecânicas sem causar espanto algum. Os galões de óleo são como
aqueles usados nos postos de gasolina. Há pó, vidrinhos e vidrões sem rótulos
e tubos por todos os lados. Ali trabalham três doutores e dois técnicos,
além de dois professores de pós-graduação e alunos. Quem observa o cenário
jamais pensa que dali sai algo de útil. Mas sai. E como. E o conhecimento
acumulado é compartilhado com outros centros de pesquisa.
A fisioterapeuta Fábia Alvim Leite, formada pela Universidade Federal
de Juiz de Fora, em Minas Gerais, trabalha em sua tese de mestrado num desses
laboratórios. Desenvolveu uma espécie de polímero de óleo de mamona que
toma a forma de uma placa fina e maleável, quando aquecida, e extremamente
rígida e resistente depois de resfriada. Agora busca acertar o ponto da
receita para que, com essa placa, possa fazer um substituto para o gesso, semelhante
aos importados, que atualmente permitem às pessoas retirar a prótese para
tomar banho - por um custo muito, muitíssimo inferior. Parece uma criança
brincando com massinha. Ledo engano. "O polímero de mamona é mais barato
do que o polietileno e tem a vantagem de ser um material inóspito para
o crescimento de bactérias ou fungos", diz
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