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Edição 23
Setembro/2005

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A concentração dos planos de saúde
Carlos Reis

DivulgaçãoNo Brasil, a concentração econômica do mercado de planos de saúde merece ser examinada, pois a um só tempo decorre e acentua o fortalecimento das grandes operadoras, gerando conseqüências imprevisíveis na organização e no financiamento do sistema de saúde. Em 2005, 2% das operadoras detinham40% dos usuários. Isso seria um problema ou uma solução para o mercado?

Não existe consenso acerca dos possíveis efeitos colaterais. Há quem analise que, dentro de certos ambientes regulatórios, a presença de um grande número de usuários na carteira das operadoras garantiria melhor atendimento, cobertura e preço. Em sentido inverso, suspeita-se que os oligopólios promovam sua rentabilidade em detrimento do bem-estar social dos consumidores, posto que seu poder de mercado afetaria a regulação de preços e a qualidade da atenção médica. Ademais, tais empresas poderiam reivindicar a ampliação de subsídios fiscais e, se considerarmos que os mecanismos financeiros privados tendem a embaraçar o financiamento das políticas de saúde, isso enfraqueceria o Sistema Único de Saúde (SUS).

A concentração desafia a capacidade de atuação da Agência Nacional de Saúde (ANS) e das instituições antitruste do país. Grosso modo, de uma parte, os prestadores médico-hospitalares estão espremidos entre os custos crescentes e o "mau pagador". De outra, as chances de um consumidor mudar de operadora (ou de plano) sem ter prejuízo - na tentativa de fugir dos altos preços, da cobertura precária e das carências - são remotas.

"De uma parte, os prestadores médico-hospitalares estão espremidos entre os custos crescentes e o 'mau pagador'. De outra, as chances de um consumidor mudar de operadora sem ter prejuízo - na tentativa de fugir dos altos preços, da cobertura precária e das carências - são remotas"

À primeira vista, a análise da experiência norte- americana contribui para o enfrentamento desses problemas. Observou-se lá que, se determinado tipo de regulação produziu preços mais baixos e maior cobertura, isso dependeu do número de operadoras e do nível de concentração do mercado. Ademais, constatou-se que foi difícil internalizar os supostos ganhos de eficiência, isto é, fazer com que os agentes regulados produzissem, de fato, preços competitivos, em especial na regulação dos public utility services. De tal modo que não está sendo trivial solucionar os efeitos negativos de longo prazo das fusões das operadoras sobre os pacientes, médicos e hospitais.

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