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ciência & inovação
Pesquisa Nair Rabelo
Texto Andréa Wolffenbüttel
Agricultura
A vez da nano
Não sem motivos, a nanotecnologia
conquistou o lugar de vedete
internacional no meio científico.
Para acompanhar o movimento
internacional, o governo brasileiro
acaba de liberar 4 milhões
de reais para a instalação do Laboratório
Nacional de Nanotecnologia
para o Agronegócio (LNNA),
em São Carlos, no interior de São
Paulo. Lançada no dia 17 de abril,
a iniciativa da Empresa Brasileira
de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)
foi financiada pelo Ministério
da Ciência e Tecnologia. A verba
servirá para aquisição de 22
aparelhos, a maioria importados,
que equiparão o laboratório. Representando
um terço do Produto
Interno Bruto (PIB) brasileiro,40%
das exportações e 37% das fontes
de emprego no país, o agronegócio
agora tem mais um motivo para
evoluir. Segundo Ladislau Martin
Neto, chefe-geral da Embrapa
Instrumentação Agropecuária, a nanotecnologia
será importante para
agregar valor aos produtos agrícolas,
além de reduzir sua vulnerabilidade às barreiras comerciais
impostas pelo mercado internacional.
Pretende-se usar o laboratório
para a criação de sensores
de qualidade de produtos, como leite
e sucos, e para o desenvolvimento
de nanofilme para embalar frutos,
o que servirá para aumentar
seu tempo de durabilidade. No primeiro
momento, uma rede de pesquisa
será formada entre instituições
de ensino, iniciativa privada e
15 unidades da Embrapa. Espera-se
que, em dois anos, o laboratório já
esteja apresentando resultados.
Design
Olhos de vidro
Pesquisadores do Instituto Nacional de Tecnologia
(INT), ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, ficaram
entre os finalistas de uma competição promovida pela
Microsoft e pela Industrial Designers Society of América
(Isda). O objetivo da disputa era apresentar inovações
em computadores que melhorassem a rotina dos milhões
de usuários do Windows. Concorrendo com 308 participantes,
os cariocas Marcos Garamvölgyi e Rubem Di Floriani
ficaram entre os 32 primeiros colocados no ranking
geral e em segundo lugar pelo júri popular na categoria
Living/Lifestile. Eles conquistaram a posição com o aparelho
Glass Eyes, um computador cujos monitor e teclado
são virtuais e projetados em qualquer superfície plana.Até
agora, só foi construído um protótipo, mas o pedido de patente
já foi feito. Contatos com empresas que se interessam
em produzir um modelo comercial já estão em andamento.
Garamvölgy diz que Glass Eyes é interessante para
designers que precisam de projeções gigantescas e também
para pessoas com alguma limitação que dificulte o
uso do mouse, já que o modelo substitui o mouse por um
controle remoto multifuncional e atende a comandos de
voz.Além dessas vantagens,o Glass Eyes é ecologicamente
correto porque economiza em material, uma vez que dispensa
o teclado, a tela do monitor e a torre de comandos.
Aids
Procuram-se voluntários
Os trabalhos de pesquisa, no
Brasil, para desenvolvimento de
uma vacina contra a Aids estão parados
por falta de voluntários. O
prazo para inscrição dos candidatos
deveria ter terminado em 31 de
março, mas foi prorrogado até 31
de maio na esperança de que outras
pessoas se apresentem. Os testes
serão realizados pelo Centro de
Referência e Treinamento DST/Aids
(CRT-DST/Aids), de São Paulo, e o
centro de pesquisa Praça Onze, da
Universidade Federal do Rio de Janeiro,
ambos em parceria com a rede
internacional de pesquisas HIV
Vaccine Trials Network. Cada uma
das instituições deve contar com
20 voluntários, mas até agora só
oito pessoas estão aptas a colaborar.
Inicialmente, cerca de 900 indivíduos
se interessaram em participar
do programa, mas não se encaixavam
nas condições exigidas.
Gabriela Calazans, responsável pelo
recrutamento de voluntários do
CRT, esclarece que não há nenhum
risco de contaminação para os participantes.
Mais informações podem
ser obtidas nos sites www.crt.saude.sp.gov.br/vacinas e www.pracaonze.ufrj.br/pesquisas/pesquisas.html.
Tecnologia
Brasil cai no ranking do Fórum Econômico
Pelo segundo ano, o Brasil cai
no ranking mundial de tecnologia
elaborado pelo Fórum Econômico
Mundial. Entre os 115 países analisados,
ficamos na 52.ª colocação,
seis abaixo da registrada em 2005
e 23 posições atrás do Chile, o
país latino-americano mais bem
classificado. O mau desempenho é
atribuído, em parte, ao ambiente
difícil para os negócios. O Fórum
destaca quatro pontos: a burocracia
para dar início a uma empresa,
a dificuldade para alterar a legislação,
o tempo para abrir um negócio
e o peso dos impostos.
Malária
Mosquitos transgênicos
A malária é uma infecção causada
por parasitas que contaminam
as pessoas por meio de mosquitos,
e mata anualmente mais de 1 milhão
de pessoas em todo o mundo. Uma
equipe de pesquisadores da Fundação
Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Minas
Gerais, após dois anos de trabalho,
conseguiu criar mosquitos
transgênicos que devem ser imunes
ao parasita transmissor da malária
aviária. Um tipo de DNA foi injetado
nos ovos dos embriões para
inibir a disseminação da doença.
Quando adultos, os mosquitos Aedes
fluvistilis modificados cruzarão
com outros da colônia e terão filhos
que já nascerão com a alteração.
Daqui um mês, testes serão
feitos para comprovar a eficácia
dos insetos. De acordo com a Fiocruz,
esses são os primeiros mosquitos
transgênicos da América Latina.
Para custear os estudos, foram
gastos cerca de 40 milhões de dólares,
fornecidos pela Fiocruz e pela
Organização Mundial da Saúde.
Passada a primeira fase, serão iniciadas
pesquisas com o mosquito
Anopheles Aquasalis, que atinge os
humanos. Luciano Andrade Moreira,
coordenador da pesquisa, lembra
que a iniciativa está em fase laboratorial
e ainda não há previsão para
liberar os insetos modificados no
ambiente.
Propriedade intelectual
Livres por natureza
Levantamento realizado pela Associação
Brasileira de Propriedade
Intelectual (Inpi) constatou que 84
nomes típicos da fauna e flora brasileiras
são usados como marcas em
outros países. A descoberta levou o
governo a confeccionar uma lista
com 3 mil nomes tradicionais da
biodiversidade nacional que serão
divulgados em todo o mundo para evitar
casos como o da empresa japonesa
Asahi Food, que em 1998 registrou
a palavra cupuaçu e passou a
cobrar 10 mil dólares em royalties
para qualquer produto que usasse o
nome em seu rótulo. Só em 2004
uma ação impetrada por uma organização
não-governamental conseguiu
derrubar a patente. A lista, na
qual constam itens como açaí, maracujá,
pinhão, umbu, cajá e, claro,
cupuaçu, será distribuída em forma
de software aos principais escritórios
de patentes do planeta. A compilação
dos nomes foi elaborada
por pesquisadores do Instituto Brasileiro
do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis (Ibama),
da Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (Embrapa) e do Instituto
Brasileiro de Propriedade Intelectual
(Inpi). A iniciativa é inédita
no mundo.
Inovação
Querido diário
Já se foi o tempo em que as
mocinhas escondiam suas aventuras
e seus segredos mais íntimos
em diários com capa cor-de-rosa
trancados a chave.Eles foram superados
pelos nada discretos blogs,
nos quais os detalhes do cotidiano
estão à disposição de todos, espalhados
pelo grande espaço virtual.
Agora a IBM lançou um protótipo
que pode dar um passo adiante na
arte de registrar a vida diária.Trata-se do Magic Block, um pequeno
gravador digital com capacidade
para acumular as conversas de
todo um dia. A inovação, porém,
não está no tamanho da memória,
mas em um novo sistema de reconhecimento
de voz que permite ao
dono encontrar a conversa exata
que procura. No entanto, ao contrário
do que acontece nos blogs,
no Magic Block a preocupação
com a privacidade foi preservada.
O aparelhinho traz um eficiente sistema
de segurança que só destrava
quando ativado pelo contato com
as impressões digitais do proprietário.
A novidade foi apresentada
no Fórum Internacional de Design
de 2006, realizado em Hannover,
na Alemanha, sendo reconhecido
pelo seu potencial de transformar
a indústria.

