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Edição 22
Agosto/2005

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África em foco
O continente volta a ser destaque entre as prioridades de empresários e diplomatas brasileiros, como na década de 1970. Sua economia vem crescendo. As exportações para lá aumentaram 153% no ano passado, mas ainda são insuf icientes para reverter a balança comercial, que segue negativa para o Brasil

Por Ottoni Fernandes Jr. , de São Paulo

Michael Melford/GettyImages

Os países africanos voltaram a ganhar importância na agenda dos exportadores e diplomatas brasileiros. Especialmente as ex-colônias portuguesas. Nos três últimos anos, 15 dos 53 países do continente foram visitados pelo presidente da República e por missões de empresários organizadas pelo governo. O crescimento das exportações para essas regiões entre 2002 e 2005 foi de 167%. Só perdeu para o resultado alcançado no Mercosul. A política externa sozinha não explica esse avanço. A abertura de novos mercados exige esforço empresarial e as estatísticas mostram que a tarefa tem sido cumprida com bons resultados. De maneira geral, no ano passado as vendas para a África bateram em 6 bilhões de dólares, o que representa 5% do total dos negócios externos brasileiros e um salto da ordem de 153% em relação a 2002. África do Sul, Nigéria, Angola, Argélia e Gana absorveram 57% das vendas nacionais. Campeões nessa rubrica, os sul-africanos compraram 1, 4 bilhão de dólares em 2005. "A diplomacia brasileira, ao dar prioridade à África, caminha na mesma direção do fluxo de comércio internacional", diz Gilberto Dupas, coordenador- geral do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional da Universidade de São Paulo (Gacint-USP).

A África Meridional soma 54 países e 800 milhões de habitantes. Sua população é paupérrima, mas a área é riquíssima em bens naturais, especialmente em petróleo

Crescimento De fato, a economia africana, especialmente a de países produtores de petróleo, como Angola, Argélia ou Nigéria, está em ascensão. De acordo com informações do Fundo Monetário Internacional (FMI), nos 15 países visitados pelas missões brasileiras o Produto Interno Bruto (PIB) aumentou, em média, 5% - índice superior à média mundial, que ficou em 4, 8% - e poderá crescer ainda mais em 2006. Os dados devem ser analisados em perspectiva. Em países extremamente depauperados, como é o caso de muitos dos africanos, um crescimento de 5% do PIB não se torna visível nas ruas ou nas casas. Não é suficiente para resultar em enriquecimento nas vilas e cidades. Os resultados, portanto, são positivos e promissores, mas não tiram o continente da miséria de um ano para outro. Para isso serão necessárias décadas de crescimento acelerado - e sustentado não apenas num produto, que é o que vem se verificando.


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