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Hospital de Clínicas de Porto Alegre utiliza tecnologia com inteligência para melhorar procedimentos, condições de trabalho e atendimento à população
Por Patrícia Marini , de Porto Alegre

Numa
manhã de abril de 2006, o médico entra no quarto do paciente no Hospital
de Clínicas de Porto Alegre para uma visita de rotina. Em vez de pegar
o prontuário pendurado ao pé do leito, tira do bolso um palm top. No
pequeno equipamento, lê o prontuário do internado, o resultado dos exames
recém-feitos, os últimos procedimentos e as observações registradas pelas
enfermeiras. Na mesma telinha, faz sua prescrição e pede novos exames. Antes
de sair para mais uma visita, comenta com alunos e residentes o encaminhamento
dado ao caso. "É fascinante. O trabalho ficou mais fácil e eficiente", resume
o pneumologista Renato Seligman, vice-presidente médico. Em seu palm
top há, ainda, meia dúzia de compêndios médicos que podem ser consultados
sem que ele precise deixar o leito do paciente.
O Clínicas de Porto Alegre é uma exceção no universo dos depauperados
e malfalados hospitais públicos brasileiros. Merece observação atenta.
O que se vê ali, desde abril deste ano, os tais prontuários acessíveis
em computadores de mão, é um estágio de um processo mais amplo que, nos
últimos cinco anos, envolveu toda a comunidade hospitalar. Para o segundo
semestre de 2006, planeja- se aproveitar a renovação da rede de comunicação
e introduzir a tecnologia wireless, sem fio. Assim, os médicos
nem sequer precisarão se conectar aos computadores da rede para baixar
os prontuários dos pacientes - estando em seu posto, as informações aparecerão
disponíveis em seus equipamentos.
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Uma história diferente
O Hospital de Clínicas de Porto Alegre foi concebido com
uma fórmula diferente dos demais hospitais universitários
brasileiros. Criado por lei federal aprovada no Congresso Nacional
em 1970, nasceu como empresa pública de direito privado, ou
seja: é academicamente ligado à Universidade Federal do Rio
Grande do Sul (UFRGS), integra a rede de hospitais do Ministério
da Educação, que banca sua folha de pagamento, mas tem orçamento
próprio e autonomia administrativa.
A especificidade foi conseguida graças à influência do reitor
da UFRGS, Eduardo Faraco, cardiologista do general Emílio
Médici antes de sua nomeação à Presidência da República. O
hospital foi instalado, em 1972, num prédio que estava em
obras desde 1931, durante o primeiro governo de Getúlio Vargas.
Atualmente, passam pelo Clínicas todos os dias, em média,
16 mil pessoas, entre elas funcionários, pacientes e visitantes
(mais do que a população de 65% dos municípios gaúchos). O
prédio consome mais de 1 milhão de quilowatts/hora por mês
de energia elétrica, o equivalente ao consumo de uma cidade
de 25 mil habitantes. O ambulatório registra 2 mil atendimentos
diários.
A arrecadação total de 2005 foi de 335 milhões de reais,
considerando todas as fontes, as inscrições de portarias em
recursos a receber e o saldo do exercício anterior. A maior
parte, 65, 4% do total, vem do Tesouro Nacional para o pagamento
de pessoal e encargos sociais. As receitas próprias, provenientes
de serviços hospitalares (aí incluídos os repasses do SUS),
totalizaram 31%. Outros recursos, provenientes da execução
de convênios com outros órgãos, inclusive o Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), complementam
a receita.
As contas fecham, praticamente não há filas, a qualidade
do atendimento melhorou, os recursos são mais bem explorados
e os pacientes confiam no hospital. |
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