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Edição 22
Agosto/2005

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SUS Plus
Hospital de Clínicas de Porto Alegre utiliza tecnologia com inteligência para melhorar procedimentos, condições de trabalho e atendimento à população

Por Patrícia Marini , de Porto Alegre

Tânia Meinerz

Clóvis Prates/ divulgação HCPANuma manhã de abril de 2006, o médico entra no quarto do paciente no Hospital de Clínicas de Porto Alegre para uma visita de rotina. Em vez de pegar o prontuário pendurado ao pé do leito, tira do bolso um palm top. No pequeno equipamento, lê o prontuário do internado, o resultado dos exames recém-feitos, os últimos procedimentos e as observações registradas pelas enfermeiras. Na mesma telinha, faz sua prescrição e pede novos exames. Antes de sair para mais uma visita, comenta com alunos e residentes o encaminhamento dado ao caso. "É fascinante. O trabalho ficou mais fácil e eficiente", resume o pneumologista Renato Seligman, vice-presidente médico. Em seu palm top há, ainda, meia dúzia de compêndios médicos que podem ser consultados sem que ele precise deixar o leito do paciente.

O Clínicas de Porto Alegre é uma exceção no universo dos depauperados e malfalados hospitais públicos brasileiros. Merece observação atenta. O que se vê ali, desde abril deste ano, os tais prontuários acessíveis em computadores de mão, é um estágio de um processo mais amplo que, nos últimos cinco anos, envolveu toda a comunidade hospitalar. Para o segundo semestre de 2006, planeja- se aproveitar a renovação da rede de comunicação e introduzir a tecnologia wireless, sem fio. Assim, os médicos nem sequer precisarão se conectar aos computadores da rede para baixar os prontuários dos pacientes - estando em seu posto, as informações aparecerão disponíveis em seus equipamentos.

 

Uma história diferente

O Hospital de Clínicas de Porto Alegre foi concebido com uma fórmula diferente dos demais hospitais universitários brasileiros. Criado por lei federal aprovada no Congresso Nacional em 1970, nasceu como empresa pública de direito privado, ou seja: é academicamente ligado à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), integra a rede de hospitais do Ministério da Educação, que banca sua folha de pagamento, mas tem orçamento próprio e autonomia administrativa.

A especificidade foi conseguida graças à influência do reitor da UFRGS, Eduardo Faraco, cardiologista do general Emílio Médici antes de sua nomeação à Presidência da República. O hospital foi instalado, em 1972, num prédio que estava em obras desde 1931, durante o primeiro governo de Getúlio Vargas.

Atualmente, passam pelo Clínicas todos os dias, em média, 16 mil pessoas, entre elas funcionários, pacientes e visitantes (mais do que a população de 65% dos municípios gaúchos). O prédio consome mais de 1 milhão de quilowatts/hora por mês de energia elétrica, o equivalente ao consumo de uma cidade de 25 mil habitantes. O ambulatório registra 2 mil atendimentos diários.

A arrecadação total de 2005 foi de 335 milhões de reais, considerando todas as fontes, as inscrições de portarias em recursos a receber e o saldo do exercício anterior. A maior parte, 65, 4% do total, vem do Tesouro Nacional para o pagamento de pessoal e encargos sociais. As receitas próprias, provenientes de serviços hospitalares (aí incluídos os repasses do SUS), totalizaram 31%. Outros recursos, provenientes da execução de convênios com outros órgãos, inclusive o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), complementam a receita.

As contas fecham, praticamente não há filas, a qualidade do atendimento melhorou, os recursos são mais bem explorados e os pacientes confiam no hospital.

 

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