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O jeito é inovar
A política de inovação é bem mais abrangente do que uma política de ciência e tecnologia - inclui educação, trabalho, impostos e custos competitivos
Por Lia Vasconcelos , de Brasília
Após participar da Conferência Global da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) realizada no mês passado, em Brasília, o diretor de ciência, tecnologia e indústria da organização, Nobuo Tanaka, disse, em entrevista a Desafios, que sem inovação não há crescimento. E que a criatividade mora nas pequenas e médias empresas. O encontro, aliás, tratou justamente do financiamento aos pequenos negócios. Mas, segundo Tanaka, para estimulá-los é preciso cuidar das pessoas, desregulamentar a economia e fazer mais, muito mais. A boa notícia é que os países estão se dando conta dessas necessidades. Desafios - Por que o Brasil foi escolhido para sediar essa reunião da OCDE? Desafios - Quais foram os principais resultados da conferência? Desafios - Como se percebeu a mudança nas políticas nacionais?
Tanaka - Porque sabemos que as dificuldades das pequenas e médias empresas são muito maiores em países em desenvolvimento. E que é justamente nesses países que elas podem ter papel mais importante. O Brasil foi escolhido por ter uma política para pequenas e médias empresas comparável à de países mais ricos. Esse evento é uma reunião comparativa para identificar o papel que pequenas e médias podem desempenhar no crescimento econômico. O Brasil é, de certa forma, um líder diplomático do mundo em desenvolvimento, atrai a atenção dos que têm características e problemas semelhantes. Cerca de 60 países, com seus ministros, vice-ministros e políticos de alto escalão, estiveram presentes, além de representantes de financiadores e de pequenas e médias empresas. Juntos, construímos e revelamos ao mundo uma agenda para o crescimento.
Tanaka - Nessa reunião ficou claro que o papel das pequenas e médias empresas na revitalização da economia é cada vez maior. Tempos atrás, os países tentavam desenvolver as grandes corporações. Considerava-se estratégico subsidiar grandes empresas. Era o antigo modelo de política industrial. Agora essas indústrias estão passando por um processo de enxugamento, reduzindo o número de empregos. Muitas vezes se mudam para países onde os custos de produção e trabalho são menos elevados. Para enfrentar a situação, as políticas industriais precisam ser mudadas dramaticamente. Vivemos no tempo da economia do conhecimento. Pequenos e médios empreendimentos têm papel de destaque nesse ambiente. São mais criativos e inovadores. Por serem pequenos, podem mudar rapidamente, adaptar-se a novas realidades e, assim, contribuir para o desempenho da economia.
Tanaka - A OCDE identificou a mudança estrutural e perguntou aos representantes dos países-membros que tipo de atitude seus governos vinham adotando em relação às pequenas e médias. No passado, quando a grande corporação tinha mais vantagens comparativas em relação às empresas menores, a política buscava protegê-las da concorrência. Mas agora desco-brimos que diversos países já identificam negócios menores que podem crescer, especialmente se tiverem acesso a novas tecnologias e adotarem modelos inovadores de administração. Então, os técnicos das esferas públicas passaram a buscar pequenas empresas em condições de exercer papel de destaque na economia, para definir como o governo poderia ajudá-las a crescer - com apoio à pesquisa e ao desenvolvimento, à formação de recursos humanos ou, por exemplo, com a concessão de incentivos fiscais.
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