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Edição 21
Julho/2005

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Diversão e arte
Por Eliana Simonetti, de São Paulo

Bernd Ducke/WM
Na Copa do Mundo de Futebol, nos Jogos Pan-Americanos, nas academias, ruas, praias, clubes, a tecnologia dá contornos futurísticos à prática esportiva. Ela se torna mais bonita, fácil e eficiente

Os que acompanham as novidades sobre o Campeonato Mundial de Futebol, a Copa do Mundo, que ocorre neste ano na Alemanha - e não tem sido fácil ficar longe dessas notícias -, já sabem:o evento tem a marca da tecnologia. Começa no dia 9 de junho, envolve times de 32 países que disputarão 63 partidas em 12 cidades e deverá atrair 3 milhões de estrangeiros ao país europeu. Nos campos, ruas e parques alemães estarão presentes os conhecimentos desenvolvidos por cientistas de todo o planeta, que farão a competição mais justa para os participantes, mais confortável e divertida para os espectadores e mais informativa para quem acompanha de longe - 350 milhões de pessoas, segundo estimativa da Federação Internacional de Futebol (Fifa).

Em um mês, o Campeonato da Fifa ocupará 12 estádios com arquitetura primorosa, novos materiais e muita eletrônica embarcada. Os ingressos serão reconhecidos por radiofreqüência

Os avanços tecnológicos na área esportiva não se restringem ao futebol nem à Alemanha, eles ocorrem em diversas modalidades e locais, mas vamos começar fazendo um passeio pela sede da Copa do Mundo, alvo de todas as atenções. O país está se apresentando como aberto, receptivo e inovador, com o slogan "País das Idéias". Um grande esforço foi feito para tornar a Alemanha uma Meca do futurismo. Para facilitar o transporte dos turistas, foram construídas novas linhas de trens e metrôs e as antigas foram modernizadas. São velozes, têm cabines limpas e confortáveis, e as passagens têm descontos automáticos quanto mais são usadas - o que, espera-se, reduza o volume de automóveis nas ruas e, por conseqüência, a poluição e os congestionamentos. Os ingressos para os jogos funcionarão como passagens em trens e metrôs. As rodovias também foram reformadas.

Uma viagem entre Berlim e Hamburgo, que levava duas horas, agora toma 90 minutos. Pedágios, ingressos para os jogos e passagens de trens e metrô utilizam um sistema de identificação por radiofreqüência (na sigla em inglês, RFID). Trata-se de uma etiqueta eletrônica com um chip minúsculo dotado de memória e capaz de efetuar transmissões de rádio dispensando o contato e permitindo a identificação imediata do portador sem perda de tempo. Um parêntese: no Brasil, mais de 20 empresas produzem etiquetas com tecnologia RFID. Elas serão usadas na organização, na logística e na segurança dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, no ano que vem.

Engenharia Estádios alemães estão em fase final de reforma, construção e equipagem para cumprir os requisitos de comodidade, segurança e tecnologia dos meios de comunicação. São espetaculares. Pela primeira vez numa Copa do Mundo, todos os assentos serão cobertos e parte da demanda por energia será suprida por fontes alternativas, como placas solares. O Estádio de Munique é translúcido e tem a peculiaridade de mudar de cor conforme os times que estão jogando. Programas de computador cuidam dos estacionamentos e dos ingressos, de imagens de controle e gerenciamento de segurança, de comunicação por voz e dados, da iluminação e da distribuição de força.

Uma rede de sensores monitora alarmes contra incêndio e até a temperatura das raízes do gramado. A pressão, a umidade do ar e a temperatura são adaptadas conforme as condições do tempo. Ali acontecerá a partida inaugural da Copa. Outros estádios também trazem novidades de ponta. Em Hannover, o teto é feito de uma folha transparente. No de Gelsenkirchen, o gramado desliza sobre trilhos e o teto e a arquibancada são móveis. O estádio de Frankfurt foi apelidado de "maior conversível do mundo", por seu teto em forma de tenda. O de Berlim, construído para os Jogos Olímpicos de 1936, foi inteiramente remodelado. Bem, vamos ficar por aqui. Ao todo são 12 estádios com arquitetura primorosa, novos materiais e muita eletrônica embarcada.

Só em Dortmund, onde o Brasil jogará as primeiras partidas, funcionam 25 institutos de pesquisa de tecnologia da informação. A contenda terá outras novidades. Desde 2003 passeia pela Alemanha uma escultura produzida pelo artista vienense André Heller. O "Globus", como é chamado, é uma estrutura aberta de metal e matéria plástica com 20 metros de altura e 60 toneladas. Durante o dia parece uma bola de futebol, com pentágonos claros e escuros. À noite se transforma num objeto de luz que deixa transparecer os contornos dos continentes.

A metamorfose ocorre também no interior: de dia, o globo é um espaço multimídia com exposição de filmes e objetos relacionados ao futebol e à noite é um misto de ateliê com salão de eventos. Estudiosos e escritores discutem o significado político-social do futebol, acontecem saraus de poesia e arquitetos apresentam projetos para novos estádios. Catorze artistas internacionais criaram obras para a Copa, que foram replicadas em pôsteres. Entre eles está a brasileira Beatriz Milhazes.

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