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Edição 21
Julho/2005

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Mão na roda
Centro de distribuição de mercadorias brasileiras em Miami, nos Estados Unidos, abre as portas do mercado norte-americano para micro, pequenas e médias empresas. Ainda neste ano serão criados novos centros em Portugal, na Alemanha e na Polônia

Por Lia Vasconcelos, de Brasília

Divulgação

A carioca Agaplastic, pequena fabricante de equipamentos médicos descartáveis, já exportava para diversos países da América Central e do Sul. Vender para os Estados Unidos sempre fez parte de seus planos. O problema eram os custos: ter um distribuidor norte-americano e alugar um galpão para armazenar sua produção sairia muito caro. A solução apareceu quando Cézar Reis, sócio-diretor da empresa, lia no jornal uma reportagem sobre o centro de distribuição (CD) que a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), órgão ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), estava planejando lançar em Miami, nos Estados Unidos.

Inaugurado em maio do ano passado, o CD está instalado numa área de 76 mil metros quadrados do Miami Free Zone, uma zona alfandegada em que as empresas não precisam pagar imposto até que o produto seja nacionalizado. Lá, o CD ocupa uma área de 1.000 metros quadrados com espaço para armazenamento de mercadorias, além de salas de reunião para rodadas de negócios, showroom e escritórios. "O CD é a grande oportunidade para que os pequenos fabricantes não precisem depender de um distribuidor, que muitas vezes exige exclusividade na venda do produto", avalia Reis. Além da Agaplastic, 111 pequenas empresas brasileiras dos setores de móveis, equipamentos médico-odontológicos, cosméticos, instrumentos musicais e têxteis, entre outros, apostam no CD como porta de entrada para o tão almejado mercado norte-americano.

E há lugar para mais que dobrar esse número. As dificuldades que as pequenas empresas enfrentam na hora de exportar já são velhas conhecidas. "Temos problemas como deficiências em infra-estrutura, excesso de burocracia e alta carga tributária. Esses gargalos, entretanto, não chegam a ser um empecilho. Muitas vezes a principal dificuldade das micro, pequenas e médias empresas é saber para quem exportar, como distribuir e como promover seus produtos", afirma Juan Quirós, presidente da Apex.

Segundo Fernanda de Negri, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), "a existência de canais de comercialização e de distribuição no exterior é tida como um dos elementos relevantes para o acesso a mercados externos. São poucas empresas brasileiras que possuem capacidade - recursos e escala de exportação - suficiente para criar os próprios centros de distribuição nos mercados externos". É exatamente esse o papel que o CD da Apex de Miami, o primeiro de uma série, se propõe a cumprir.

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