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Edição 21
Julho/2005

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Luiz Hildebrando
De Paris para Rondônia

Por Andréa Wolffenbüttel, de São Paulo

Esio Mendes

O cientista paulista Luiz Hildebrando Pereira da Silva é um dos mais respeitados estudiosos de doenças tropicais. Passou a maior parte de sua carreira trabalhando na França, no Instituto Pasteur, e ao voltar para o Brasil, há dez anos, decidiu se estabelecer em Porto Velho, em Rondônia, onde desenvolve diversas pesquisas, especialmente sobre malária. Nesta entrevista, concedida por telefone, o professor conta como vê a situação brasileira em termos de desenvolvimento científico e o que é preciso fazer para melhorar as condições de saúde pública.

Desafios - Por que, depois de trabalhar por mais de 30 anos na França, o senhor decidiu se instalar em Porto Velho?
Hildebrando
- Essencialmente porque, desde que voltei para o Brasil, me interessei pelo estudo da malária. É muito difícil pesquisar a malária humana no Rio de Janeiro, em São Paulo ou mesmo em Brasília. A experiência adquirida no Instituto Pasteur, não só em Paris, mas em localidades da África onde a malária é endêmica, tais como Senegal, Gabão e Madagascar, me levou a buscar novamente algum lugar onde exista a incidência da doença. Quando me transferi de volta para o Brasil, o local da Amazônia com maior ocorrência de malária era Rondônia, e de certo modo havia facilidades de instalação após a criação de um hospital especializado em doenças tropicais, que oferecia espaço para o trabalho. Essas foram as razões que me trouxeram para cá.

Desafios - Além da presença da doença, o senhor conta com boas condições de trabalho?
Hildebrando -
Ao chegar, encontrei uma situação muito precária, mas contei, desde o começo, com o apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia (MinCT) e também do Ministério da Saúde. Todas as instituições de fomento à pesquisa, tanto na área científica quanto na área médica e social, são conscientes das deficiências que existem na região amazônica para a investigação das endemias, e sabem da necessidade de reforçar essa estrutura. Se no início eu não tinha boas instalações para a pesquisa, fomos progressivamente obtendo os equipamentos necessários. Hoje posso dizer que dispomos de estruturas de apoio e equipamento básico que são equivalentes aos bons laboratórios encontrados nos grandes centros.

Desafios - Como está o quadro de incidência da malária no Brasil?
Hildebrando
- Está se agravando. Nós tivemos, em 1999, um aumento de incidência que assustou o Ministério da Saúde, porque foram registrados 600 mil casos, quando o número vinha se mantendo entre 400 mil e 500 mil. Isso provocou uma mobilização global do ministério, que promoveu uma grande campanha nos anos 2000, 2001 e 2002. O resultado foi que a incidência caiu para menos de 350 mil casos. Mas de 2002 para cá ela voltou a crescer. Não digo que houve abandono, mas certo relaxamento das medidas de controle. E há também um processo de desgaste das estruturas de campo. Antes o governo federal era responsável por esse controle, mas assim que ele foi passado para os municípios ocorreu um enfraquecimento. Então nós tivemos novos avanços da incidência em 2004 e 2005. No ano passado, foram quase 600 mil casos de novo.

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