Como uma Fênix, a ave mítica que renasce das cinzas, o Programa Espacial Brasileiro vive um recomeço após a trágica explosão da plataforma de lançamento em Alcântara, no Maranhão. Dois anos depois, o Brasil já obteve grandes avanços. Acaba de se tornar o maior distribuidor mundial de imagens por satélite, firmou acordo com a Ucrânia para lançar um novo foguete e participa do seleto grupo de 16 países que estão na Estação Espacial Internacional, o maior laboratório montado em órbita.
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| O ramo de satélites é considerado o mais bem-sucedido do Programa
Espacial Brasileiro e também é aquele que traz maiores expectativas
de lucros, com a venda das imagens de sensoreamento remoto |
O Inpe entrega hoje, gratuitamente, uma média
de 350 imagens por dia do satélite CBERS para 15 mil usuários de 2, 5 mil
instituições diferentes
O Brasil conseguiu conquistar o primeiro lugar em termos de distribuição
de imagens de sensoriamento remoto graças ao Satélite Sino-Brasileiro
de Recursos Terrestres (CBERS, das iniciais em inglês). Segundo muitos especialistas,
a área de satélites é a vertente mais bem-sucedida do Programa Nacional
de Atividades Espaciais (Pnae). A primeira etapa foi a produção, em 1999,
do CBERS 1. Ele operou até 2003, superando em quase dois anos a previsão
de sua vida útil, quando então foi lançado o segundo satélite da família. Atualmente, está
em fase de fabricação o novo satélite CBERS-2B, equipado com uma câmera
mais potente, que amplia significativamente o leque de aplicações das
imagens geradas. Mas o que muda não é só isso, agora chegou o momento de
o país faturar, porque as imagens anteriormente distribuídas gratuitamente
serão vendidas e as receitas repartidas meio a meio com os chineses, sócios
no satélite.
A disponibilidade dos dados do CBERS resultou na distribuição de mais
de 160 mil imagens. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)
entrega hoje uma média de 350 imagens por dia do satélite CBERS para 15
mil usuários de 2, 5 mil instituições, entre elas universidades públicas
e privadas, prefeituras, jornais, empresas de consultoria, geologia, petróleo, engenharia,
aerolevantamento, topografia, saneamento, eletricidades e órgãos do governo,
como a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Entre as principais
utilizações das imagens estão o controle do desmatamento e das queimadas
na Amazônia Legal, o monitoramento de recursos hídricos, de áreas agrícolas,
do crescimento urbano e da ocupação do solo.
Aplicações Embora o público
em geral acredite que a pesquisa espacial se restrinja aos foguetes e
astronautas, existem centenas de outras aplicações importantíssimas para
diversas áreas. É o caso das previsões do clima e do monitoramento da
Amazônia. Os satélites já acompanham hábitos de peixes e até detectam focos
de malária. "Não há país grande como o Brasil sem um programa espacial
ambicioso. A extensão territorial exige monitoramento contínuo, em nome
da segurança e da soberania", afirma Luiz Bevilacqua, ex-presidente da
Agência Espacial Brasileira (AEB), que atualmente trabalha no Laboratório
Nacional de ComputaçãoCientífica, ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia
(MCT). A tecnologia espacial pode contribuir muito para o entendimento
de processos que exigem não apenas imagens, mas também monitoramento constante
ao longo de curtos espaços de tempo e com grande variação geográfica.
Um bom exemplo vem da pesquisa do Instituto Mamirauá, do MCT, no Amazonas.
Com ajuda do Inpe, oito peixes-boi monitorados por telemetria vêm revelando
dados valiosos sobre hábitos da espécie - como a migração de até 150 quilômetros
em busca de alimentos, ao sabor das cheias e das vazantes. "Atualmente é
possível medir a dimensão dos níveis de inundações na Amazônia, que podem
chegar a 1 milhão de quilômetros quadrados e são de difícil acesso. Além
disso, bóias capazes de transmitir aferições locais ajudam a calibrar
imagens de satélite, por meio de dados simples, como a transparência ou
não das águas, a intensidade dos ventos e a concentração de clorofila", explica
a pesquisadora Evlyn Morais, da Divisão de Sensoriamento Remoto do Inpe.
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Os projetos para o futuro
Satélites
- 3. º Satélite Sino-Brasileiro
de Recursos Terrestres (CBERS-2B): em construção
- Satélite Equars, de monitoramento
da atmosfera equatorial: a ser construído até 2008
- Satélite Mirax, de monitoramento
das emissões de raios X: a ser construído até 2008
- Satélite de sensoriamento remoto
100% nacional: a ser construído até 2009
- Satélite radar (SSR-2):
a ser construído em parceria com a Alemanha e lançado em 2010
Foguetes
- Desenvolvimento, com apoio de uma equipe russa, de
uma nova família com cinco veículos lançadores: Alfa, Beta,
Gama, Delta e Epsilon |
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