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Edição 20
Junho/2005

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Guido Mantega
O Brasil pode crescer até 5% em 2006

Por Andréa Wolffenbüttel , do Rio de Janeiro

Paulo JaburAo completar 15 meses à frente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Guido Mantega comemora um balanço que apresenta o maior lucro da história da instituição aliado a um volume recorde de concessão de empréstimos. O presidente de um dos principais bancos de fomento do mundo - tem mais recursos do que o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) - acredita que os fundamentos econômicos nunca estiveram tão sólidos no país e que o governo Lula está conseguindo cumprir seu programa de governo, ainda que por caminhos tortuosos.

Desafios - O desempenho do BNDES em 2005 bateu recorde em concessão de financiamentos e em geração de lucros. A que o senhor atribui esse sucesso?
Mantega - O Brasil está na rota do desenvolvimento há pelo menos dois anos e isso implica uma movimentação econômica de todo o país. Depois de um longo e tenebroso inverno de 20 e tantos anos, as forças produtivas do país estão se movimentando sob todos os pontos de vista. A produção está em efervescência, assim como o setor financeiro e os financiamentos. É natural que, nesse contexto, ocorra aumento de capitalização das empresas, crescimento do faturamento e do lucro, e também do BNDES. O banco participa das atividades das empresas, seja como financiador, seja como sócio, já que ele tem participação acionária nas empresas. Por um lado, ajuda a viabilizar os empreendimentos e depois colhe os bons resultados dessa participação. Também nos beneficiamos porque o nível da atividade econômica está bem e os empréstimos estão sendo honrados. Isso explica nosso nível de lucratividade de 3, 2 bilhões reais.

Desafios - Além do contexto externo, não houve influência das campanhas de divulgação que o banco realizou no ano passado?
Mantega - Ao longo do tempo o banco mudou sua atuação para acompanhar as necessidades da economia. Em determinado momento, ele atendeu fundamentalmente empresas estatais. Hoje procura dar suporte às privadas. Em determinada época, ele só olhava para as grandes empresas, hoje olha para as pequenas e médias como um setor prioritário. Por isso procuramos divulgar nossas linhas de crédito, que eram pouco conhecidas, principalmente pelos segmentos dos pequenos e médios empresários.

Desafios - Por falar em pequenas empresas, muitos criticam o BNDES por socorrer grandes empresas, que poderiam recorrer aos bancos comerciais. Como o senhor vê essas críticas?
Mantega - Um dos problemas do Brasil é a falta de crédito. Comparativamente a outros países, a relação crédito versus PIB aqui é baixa. Como o banco não tem escassez de recursos, não precisamos racioná-los. Essas críticas seriam válidas se houvesse uma escolha a ser feita. Se dispuséssemos de 10 milhões de reais para uma demanda de 30 milhões. Nesse caso, teríamos de dar o dinheiro às pequenas e médias empresas, porque as grandes conseguem de outras fontes. Mas temos sobra de recursos e podemos financiar todas as necessidades que surgem. Eu acho importante emprestar para uma grande empresa do setor de energia, por exemplo, porque ela presta um serviço que beneficia todo o país;ou financiar uma grande siderúrgica que vai exportar produtos e melhorar a balança comercial diminuindo a vulnerabilidade externa. Assim como também nos interessa financiar uma padaria, um profissional liberal. Podemos financiar tudo, desde o turismo até bens de capital.


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